Sexta-feira, 24 de Julho de 2026

Home Colunistas Política e educação – o voto e a reconstrução da educação brasileira

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A cada dia estamos mais próximos do período das campanhas eleitorais e do sagrado direito de votar. É tempo de observarmos os pré-candidatos dos vários partidos aos cargos de presidente, governador, senador e deputados federais e estaduais.

Este é o grande momento nacional para exercer o direito de votar e, depois, fiscalizar o voto dado. Importante para ter a certeza de que votou corretamente é refletir sobre a escolha de candidatos realmente comprometidos com o futuro do país.

Há 40 anos vivemos uma derrocada na educação brasileira, tema que faz parte da minha luta. Com raras exceções de alguns municípios e escolas, continuamos afundando. Os índices das avaliações internacionais mostram o Brasil ocupando as últimas posições em qualidade da educação. Isso é muito triste e preocupante para o nosso futuro, pois não estamos oferecendo à toda juventude a educação de qualidade que ela merece.

Veremos muitos candidatos falando e prometendo melhorias para a educação. No entanto, quando chegam aos governos, às assembleias legislativas, ao Senado ou à Câmara dos Deputados, poucos realmente entendem do assunto.

O grande problema não é apenas investir mais recursos. Há anos o Brasil aplica mais de 6% do PIB em educação, enquanto na década de 1980 investia cerca de 2%. Houve algum avanço na universalização do ensino e alguma melhoria nos salários para professores do ensino básico, embora ainda estejam longe do ideal. Mas a meu ver a questão principal está na qualidade da gestão e a valorização do mérito. Reivindicar melhores salários é justo, mas também é necessário oferecer a correspondente qualidade no trabalho.

Creio que os resultados das avaliações infelizmente evidenciam que. Há gestores e professores sem preparo para o exercício da função e outros que permanecem nela apenas por razões ideológicas, partidárias ou salariais, e não pelo compromisso de educar. Felizmente, ainda existem excelentes professores idealistas, mas hoje me parecem ser minoria.

É preciso ter gestores qualificados. Quem governa o país ou os estados deve nomear pessoas honestas, capacitadas, bem avaliadas e comprometidas com a escola. Lembro da minha escola estadual, o Inácio Montanha, em Porto Alegre. Havia porteiro, auxiliares de disciplina em cada andar e serviço de orientação educacional. Quando um professor chamava o auxiliar de disciplina, sabíamos que o caso seria analisado e o aluno orientado. As escolas funcionavam. Havia respeito à direção, aos professores e aos funcionários.

Precisamos resgatar esses valores. As escolas necessitam de estrutura, auxiliares de disciplina e controle de acesso. Não é aceitável que qualquer pessoa entre na escola, ameace ou agrida professores e funcionários.

E onde estão as famílias? Sem a participação delas é impossível ter uma boa escola. Diretores e gestores precisam aproximar pais e responsáveis, fortalecendo o círculos de pais e mestres e associações atuantes, capazes de contribuir com o trabalho dos professores.

Infelizmente, vemos gestores municipais, estaduais e federais mais comprometidos com partidos, ideologias e eleições do que com a educação.

É isso que devemos observar na hora do voto. Precisamos eleger pessoas e partidos comprometidos com uma gestão eficiente em todas as áreas, especialmente na educação. Não basta prometer mais recursos. O exemplo da expansão das universidades federais mostra que grandes investimentos nem sempre significam melhores resultados.

A escola deve complementar o trabalho da família, e a família precisa participar da vida escolar. Caso contrário, continuaremos assistindo ao declínio da educação. Ainda convivemos com milhões de analfabetos e analfabetos funcionais. Além disso, tornou-se comum aprovar alunos mesmo sem atingirem o desempenho mínimo. Que estímulo resta ao professor quando o estudante sabe que será promovido independentemente da aprendizagem?

Muitos gestores preocupam-se apenas com estatísticas de aprovação, e não com a qualidade do ensino. Esse modelo precisa mudar. Seja no município, no estado ou na União, precisamos de gestores qualificados, capazes de fazer a educação avançar. Do contrário, continuaremos investindo recursos sem retorno para a sociedade.

Os professores precisam atuar com responsabilidade e idealismo, comprometidos com a aprendizagem de cada aluno. Por isso esta eleição é tão importante. Ela pode representar um marco entre a continuidade desse cenário e um futuro diferente. Se escolhermos novos governantes e legisladores comprometidos com uma nova mentalidade de gestão, talvez consigamos oferecer às próximas gerações um futuro melhor, sustentado por uma educação de qualidade.

Jocelin Azambuja Advogado- Ex-presidente da Comissão de Educação da OABRS

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