Quarta-feira, 10 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 9 de junho de 2026
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre suspendeu a oferta da vacina contra dengue produzida pelo Instituto Butantan-SP para profissionais do setor. Conforme o órgão, a medida segue determinação do Ministério da Saúde, após a identificação de efeitos colaterais graves em 42 indivíduos, incluindo duas mortes suspeitas. Já o procedimento para crianças e adolescentes está mantido, com uso do imunizante japonês Qdenga.
No caso do fármaco paulista, a pausa é preventiva e temporária, enquanto prossegue a investigação dos casos em nível federal. Desde o início do ano, quando o “Butantan-DV” passou ser utilizado, a capital gaúcha recebeu duas remessas, com um total superior a 3 mil doses. Destas, 1.869 foram aplicadas.
Chefe da Equipe de Imunizações da SMS, a enfermeira Renata Capponi destaca que não há registros de Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (Esavi) graves em Porto Alegre. O estoque da vacina será mantido até que a situação seja esclarecida.
De acordo com Nota Técnica do Ministério da Saúde emitida no início desta semana, todos os indivíduos que receberam o imunizante em até 21 dias antes devem ser monitorados. Estatística atualizada pela prefeitura da Capital aponta que o número de pessoas vacinadas nesse período na cidade é de 196.
Ministro de manifesta
Em coletiva de impensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou ainda não ser possível concluir que os eventos adversos foram causados pela vacina do Butantan (instituição vinculada ao governo de São Paulo). Ressaltou, porém, que representam um sinal de alerta e serão investigados por um comitê de especialistas.
“A descontinuidade tem por objetivo uma precaução, para que o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária [Anvisa] e o Instituto Butantan aprofundem a apuração dos 42 episódios de reação adversa, a fim de se buscar possíveis fatores de risco nessas pessoas, como em uma espécie de estudo de caso-controle”.
Serão investigados aspectos como histórico clínico dos indivíduos afetados, doenças preexistentes e outros fatores de risco individual. Possíveis desvios de qualidade ou mesmo erros de imunização também estão na mira do colegiado.
Padilha garantiu, ainda, que “o Ministério da Saúde tem total confiança na capacidade institucional do Butantan”, ao enfatizar a importância da vacinação para a redução e eliminação de doenças no País.
Orientação para vacinados
Pessoas vacinadas nos últimos 21 dias que apresentem febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, desmaio, sangramento, sonolência, irritabilidade, falta de ar, piora do estado geral ou sinais de choque devem ser avaliadas imediatamente em serviço de saúde.
“Os sintomas são compatíveis com dengue grave ou com sinais de alarme e o manejo clínico dos casos é conhecido na rede de saúde da Atenção Primária e de urgência e emergência da cidade”, complementa a SMS.
(Marcello Campos)