Sábado, 05 de Setembro de 2026

Home Política Possibilidade de o ministro Alexandre de Moraes chefiar o Supremo no ano que vem intensifica pressão no tribunal

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A perspectiva de que o ministro Alexandre de Moraes assuma a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) no ano que vem, ao final do mandato do ministro Edson Fachin – empossado para o biênio 2025–2027 – tornou-se um fator de apreensão nos bastidores da Corte. O receio central envolve o impacto sobre a credibilidade da instituição caso ela passe a ser comandada por um magistrado alvo de suspeitas não esclarecidas.

As revelações das trocas de mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro abriram uma fissura institucional difícil de reparar no Tribunal. O episódio levanta dúvidas sobre os riscos para o equilíbrio da Corte caso o perfil heterodoxo de Moraes – pejorativamente batizado por críticos de “Direito Xandônico”, marcado por decisões monocráticas e desproporcionais – passe a ditar o comando do Supremo. Especialmente depois de “ter sido exposto” e “de ter o ego ferido”.

Um segundo fator de fragilização é o visível movimento de afastamento político do Palácio do Planalto. Enquanto os demais presidenciáveis e lideranças de oposição foram a público criticar e pedir o afastamento de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por se distanciar do debate e adotar uma postura de omissão calculada: não criticou, tampouco defendeu o magistrado.

Essa postura do petista, no entanto, contrasta com a aproximação entre ambos, que inclui agendas e reuniões reservadas realizadas dentro do Palácio da Alvorada. O movimento indica uma tentativa de evitar, no momento atual, que a imagem de Lula seja diretamente associada ao escândalo e aos seus desdobramentos, reduzindo o possível desgaste político decorrente dessa relação.

Por fim, também pesa no meio jurídico a apreensão diante da possibilidade de uma nova onda de críticas mais duras e de protestos populares pelo País. O temor manifestado nos bastidores, porém, não está relacionado à repetição de atos de vandalismo ou de depredação, mas ao eventual desgaste provocado pelo aumento da rejeição popular e pelos efeitos que esse cenário poderia produzir sobre a imagem das instituições e de seus integrantes.

Em um cenário em que o conteúdo das mensagens expostas não pode ser ignorado pela sociedade, a imagem de Moraes e, juntamente com ele a do próprio Supremo Tribunal Federal, já estará maculada se as investigações não ocorrerem e o ministro permanecer na Corte. (Análise de Roseann Kennedy, de O Estado de S. Paulo)

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