Sexta-feira, 17 de Julho de 2026

Home Política Presidência da República: pré-candidatos da direita seguem empatados tecnicamente em terceiro lugar, apesar da crise na campanha de Flávio

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Os pré-candidatos da direita na corrida presidencial não conseguiram capitalizar a perda de votos do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira. A distância no primeiro turno entre o presidente Lula e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro já foi de cinco pontos, em abril, e agora é de 12. Apesar disso, os dados apontam que não há transferência expressiva de intenção de voto para Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) ou Romeu Zema (Novo).

Os ex-governadores e o ativista do Movimento Brasil Livre (MBL) seguem empatados tecnicamente em terceiro lugar, com intenções de voto entre 2% e 4%, segundo a Quaest, cuja margem de erro é de dois pontos percentuais. Nos últimos meses, impulsionado pela revelação do elo com o banqueiro preso por fraude Daniel Vorcaro, pela associação do tarifaço americano à atuação bolsonarista no exterior e pela exposição da briga com Michelle Bolsonaro (PL), o recuo de Flávio não se traduziu em crescimento de alguma alternativa à polarização.

Na divulgação anterior da Quaest, há um mês, o petista tinha 39% e o senador, 29%. Mas Flávio chegou a somar 33% no primeiro turno em maio, no ápice de sua pré-campanha até aqui. De lá para cá, o pré-candidato do PL perdeu cinco pontos, que acabaram se diluindo entre Caiado, Renan Santos, Zema e principalmente entre eleitores indecisos e aqueles que citam voto nulo ou em branco.

Em um vídeo publicado no Instagram horas depois da pesquisa ser divulgada, o candidato do Missão criticou os números apresentados da Quaest e acrescentou ser o pré-candidato com melhor desempenho nas redes. Já Zema foi questionado sobre os resultados do levantamento durante uma agenda de visita a uma indústria metalúrgica em Guarulhos, na Grande São Paulo.

“Tem muita coisa ainda para acontecer. Provavelmente, alguma delação do banqueiro bandido pode vir a mudar alguma coisa. Então, é uma eleição que ainda vai ser construída. Pesquisas são bem-vindas, servem para analisar esse momento atual, mas a eleição ainda está aí, quase 90 dias adiante, e muita coisa ainda vai mudar e vai ser revista nesse período.”

Caiado, por sua vez, afirmou que “eleição não se elege pelos rejeitados”. A declaração foi feita em uma reunião na Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP).

“Os dois (Lula e Bolsonaro) hoje tem também o maior grau de rejeição. Então, quer dizer, uma eleição ela não se elege pelo os rejeitados. Ela se elege por aquele que realmente tem algo a poder mostrar para o Brasil diante da maior crise da história política do país.”

Apoio a Flávio rui na direita não bolsonarista/ indecisos saltam
Atualmente, os indecisos são 11%, num salto de seis pontos desde maio, quando eram 5%. Os entrevistados que indicaram a intenção de votar nulo, em branco ou de nem irem votar chegaram a ser 16% em março deste ano, mas caíram a 11% no mês seguinte e foram oscilando dentro da margem de erro até chegar aos atuais 8%.

Enquanto isso, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado teve pico de 6% na Quaest de abril, foi a 3% em junho e agora tem 4%. O ativista do MBL Renan Santos, por sua vez, obteve 2% das intenções de voto em abril e foi a 3% em junho, mesmo patamar observado no levantamento divulgado nesta quarta. Zema tinha 4% em maio, recuou a 2% em junho e agora mantém esse número.

A sondagem mostra que o apoio a Flávio caiu especialmente entre os eleitores que se identificam com a direita não bolsonarista: em dois meses, ruiu 21 pontos, de 74% em maio a atuais 53%. É o pior resultado nesse estrato para o pré-candidato do PL desde dezembro de 2025, quando marcou 45% entre direitistas não bolsonaristas (em janeiro, por exemplo, ele saltou a 59%). No grupo desse mesmo posicionamento político, Zema tem hoje 6% das intenções de voto; Caiado, 5%; e Renan, 4%.

O declínio começou a partir das notícias do envolvimento de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro pelo financiamento do filme do pai, “Dark Horse”. O senador sempre negou irregularidades no caso.

A fragmentação da direita e o fato de os outros pré-candidatos à Presidência ainda serem pouco conhecidos nacionalmente são hipóteses para a ausência de migração significativa de votos de Flávio. Segundo o levantamento divulgado nesta quarta, 44% não conhecem Caiado; 50% desconhecem Zema; e 77% não sabem quem é Renan Santos.

Rejeição

Depois de Lula e Flávio, os pré-candidatos mais rejeitados são Caiado e Zema, que têm patinado em tentar furar a polarização e se apresentar como opção viável de terceira via. Os ex-governadores goiano e mineiro são rejeitados por 34% e 31%, respectivamente. A recusa a Caiado oscila dentro da margem de erro desde abril, enquanto a de Zema cresceu quatro pontos a partir de maio e voltou ao patamar registrado em abril. (Com informações do jornal O Globo)

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