Segunda-feira, 16 de Maio de 2022

Home em foco Presidente da França anuncia planos para construir até 14 usinas atômicas

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A apenas dois meses das eleições presidenciais da França, o pré-candidato à reeleição Emmanuel Macron empunha a bandeira da energia nuclear, atual fonte de mais de dois terços da energia consumida no país.

Nesta semana, Macron anunciou ter planos para que a concessionária francesa Electricité de France (EDF) construa até 14 novos reatores nucleares, prometendo dezenas de bilhões de apoio estatal nas próximas três décadas à indústria atômica, que atualmente passa por dificuldades do país.

“No longo prazo, a energia nuclear e as renováveis fornecerão energia mais barata, protegida das turbulências dos mercados”, disse Macron em Belfort, Leste da França, em uma unidade da General Electric que produz turbinas para usinas nucleares e será comprada pela EDF.

Macron disse que, para além da energia nuclear, o governo tomará ações para expandir a energia solar e a eólica offshore, porque a transição dos combustíveis fósseis para fontes que não emitem carbono aumentará o uso de carros elétricos, de aquecedores e de outros equipamentos que funcionam com eletricidade.

O presidente francês também tenta transmitir a imagem de um defensor da independência industrial francesa e afastar as críticas de que deixou a rival americana GE assumir ativos nucleares importantes da francesa Alstom quando ele era ministro da Economia.

Embora Macron ainda não tenha anunciado oficialmente que se candidatará a um segundo mandato, ele está efetivamente na campanha há meses, e vem prometendo subsídios a diferentes setores.

Segundo ele, a França planeja a construção de seis novos grandes reatores, com o primeiro entrando em operação por volta de 2035. Estudos para outros oito também devem ser feitos.

O novo programa pode representar 25 gigawatts de capacidade até 2050, disse Macron. Segundo o presidente, dezenas de bilhões de euros de financiamento público serão destinados para financiar este programa, o que permitirá melhorar a situação financeira da EDF, atualmente endividada.

Além disso, a França deve prolongar a vida útil dos 56 reatores da EDF, exceto caso isto seja declarado inseguro pela autoridade de segurança nuclear do país.

Mudança

A atual política nuclear francesa exprime uma mudança de posição de Macron. No início de seu mandato, o presidente prometeu reduzir a dependência da energia nuclear e fechar uma dúzia de reatores até 2035. Dois anos atrás, ele forçou a EDF a fechar seus dois reatores mais antigos.

Segundo Macron, a França buscará um acordo com a Comissão Europeia para introduzir um novo regulamento para a energia nuclear, com o objetivo de fornecer preços estáveis para consumidores e empresas francesas.

A segurança nuclear ainda divide a Europa após o desastre de Fukushima no Japão. A França pressionou fortemente para que a energia nuclear fosse rotulada como sustentável sob as novas regras da Comissão Europeia sobre financiamento verde.

A causa do presidente acabou vitoriosa e a energia nuclear foi incluída na chamada taxonomia de energias limpas da União Europeia, sistema de classificação que pretende atrair bilhões de investimento privado para fontes sustentáveis. A inclusão da energia nuclear nessa categoria, acompanhada também pela do gás natural, enfureceu ambientalistas.

Os novos reatores devem ajudar a França a atingir sua meta de se tornar neutra em carbono até 2050 e reduzir a dependência de petróleo e gás.

Países da Europa atualmente passam por uma crise energética e por fortes aumentos dos custos como gás, o que chamou a atenção de líderes europeus para a dependência de fornecimento estrangeiro para a sua segurança energética.

Os principais oponentes de Macron também apoiam investimentos ambiciosos em energia nuclear, mas o acusam de ser volúvel e inconsistente.

Agora, a EDF deve começar longos processos de licenciamento para a construção dos seis reatores, que podem custar cerca de 50 bilhões de euros (R$ 297 bilhões), segundo a concessionária.

A França e a EDF também enfrentam a difícil tarefa de substituir progressivamente reatores mais antigos da frota da concessionária, a maioria dos quais foi construída nas décadas de 1980 e 1990.

A última vez que a França inaugurou um reator foi em 2002. O desenvolvimento de novos projetos foi suspenso após anos de problemas técnicos no projeto Flamanville-3 na Normandia.

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