Sábado, 29 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 29 de agosto de 2026

Em encontro no Consevitis-RS, Yvette van der Merwe conheceu características da produção brasileira, degustou produtos gaúchos e afirmou que Brasil tem muito a ensinar ao setor internacional
A presidente da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), a sul-africana Yvette van der Merwe, destacou a qualidade dos sucos de uva brasileiros e o potencial do país para contribuir com o desenvolvimento da vitivinicultura mundial durante encontro realizado nesta sexta-feira (28), na sede do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), em Bento Gonçalves. A dirigente conheceu um pouco mais sobre as características da produção brasileira, os avanços da pesquisa e os desafios enfrentados pelo setor, especialmente diante das mudanças climáticas.
Na abertura do encontro, o diretor executivo do Consevitis-RS, Eduardo Piaia, apresentou um panorama da vitivinicultura brasileira, destacando as características dos três principais sistemas produtivos do país: a viticultura tradicional da Região Sul, a produção de uvas em ciclo de inverno no Sudeste e a viticultura tropical no Nordeste. Os pesquisadores Marcos Botton e Henrique Pessoa dos Santos,da Embrapa Uva e Vinho, apresentaram estudos recentes desenvolvidos pela instituição, incluindo estratégias para enfrentar os desafios climáticos, com novas formas de uso do solo e aplicação de tecnologias. Ele também ressaltou a importância de aproximar a pesquisa do mercado e de ampliar a troca de conhecimentos e experiências brasileiras com outros países, especialmente em áreas como a genética de cultivares.
Ao conhecer as características da produção brasileira, Yvette demonstrou surpresa com a capacidade de sustentabilidade econômica de um grande número de pequenas propriedades familiares, especialmente na Serra Gaúcha, muitas delas vinculadas a cooperativas. “Na OIV, a sustentabilidade econômica é um assunto a se explorar melhor, com um olhar mais cuidadoso. É preciso que toda novidade na área seja acompanhada pelo aspecto econômico. Não é um desafio só para os produtores brasileiros, mas de outros países também. Por isso, os países devem trabalhar juntos”, destacou.
A presidente da OIV também degustou sucos de uva produzidos com diferentes cultivares de uvas BRS desenvolvidas pelo Programa de Melhoramento “uvas do Brasil” da Embrapa. A experiência despertou entusiasmo na dirigente. “Eu absolutamente amo os sucos de uva brasileiros”, afirmou. No Rio Grande do Sul, aproximadamente metade da produção de uvas é destinada à elaboração da bebida, que se consolidou como um dos principais produtos da vitivinicultura gaúcha.
Ao falar sobre as oportunidades de cooperação internacional, Yvette ressaltou que o Brasil também pode contribuir com conhecimentos e tecnologias desenvolvidos no país, especialmente diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
“Podemos aprender muito com vocês e vocês conosco. Na questão climática, podem colaborar com as novas tecnologias utilizadas no país. Hoje, a Europa busca referências no Brasil. Sem dúvida, o Brasil tem muito a ensinar e a contribuir em diversas áreas, e a OIV está aberta e atenta a isso. Continuem fazendo o que estão fazendo. É incrível”, afirmou.
Participaram do encontro o presidente do Consevitis-RS, Maicon Galiotto, representantes de entidades e empresas do setor vitivinícola e integrantes da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Vinho, Uvas e Derivados, vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Yvette van der Merwe está na Serra Gaúcha para participar do 2º EnoMeeting by ConceptWine, Congresso Internacional de Enologia e Viticultura, realizado de 27 a 29 de agosto, em Bento Gonçalves.
Sobre o Consevitis-RS
O Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) atua no apoio, difusão e financiamento de demandas relacionadas à produção de uvas, vinhos, sucos de uva e demais produtos derivados no âmbito agrícola, produtivo, técnico, promocional, cultural, ambiental, jurídico e institucional. O instituto também está envolvido em programas de ensino, pesquisa, extensão e inovação, visando ao constante desenvolvimento e aprimoramento do setor vitivinícola.
Sobre a OIV
A Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) é uma entidade científica e técnica intergovernamental reconhecida como referência mundial para o setor da uva e do vinho. Com sede em Dijon, na França, a OIV conta com 51 Estados Membros, responsáveis por 90% da área vitícola global, 88% da produção mundial de vinhos e 75% do consumo mundial. A cada ano, mais de 500 especialistas de diferentes países se reúnem em grupos de trabalho para discutir e aprovar resoluções por consenso em quatro áreas principais: viticultura e uvas de mesa, enologia e métodos de análise, aspectos legais e econômicos e saúde e segurança do consumidor. Ao longo de um século, a OIV tem estado na vanguarda das questões globais relacionadas à vitivinicultura, oferecendo normas, diretrizes e informações essenciais para o setor. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)