Terça-feira, 17 de Maio de 2022

Home Economia Produção industrial cai 2,4% em janeiro e fica mais distante do patamar pré-pandemia

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A produção industrial brasileira caiu 2,4% em janeiro, na comparação com dezembro, perdendo boa parte do avanço de 2,9% registrada no mês anterior, segundo divulgou nesta quarta-feira (9) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com janeiro do ano passado, a queda foi ainda maior, de 7,2%

“Com isso, a indústria se encontra 3,5% abaixo do patamar de antes do início da pandemia, em fevereiro de 2020, e 19,8% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011”, destacou o IBGE.

A queda em janeiro foi acompanhada por todas as quatro grandes categorias econômicas e por 20 dos 26 segmentos industriais pesquisados.

O resultado veio pior que o esperado. A mediana das estimativas coletadas pelo Valor Data junto a 34 consultorias e instituições financeiras era de uma queda de 1,9% no mês e retração de 6,1% para a variação interanual.

A indústria vem patinando desde junho do ano passado. No ano de 2021, foram 8 taxas mensais negativas.

“Verificamos que o mês de janeiro está bem caracterizado pela perda de dinamismo e de perfil disseminado de queda, uma vez que todas as grandes categorias econômicas mostram recuo na produção, tanto na comparação com o mês anterior quanto na comparação com janeiro de 2021”, afirmou o gerente da pesquisa, André Macedo.

Segundo ele, a alta de 2,9% em dezembro foi um ponto fora da curva e pode estar relacionada a antecipação da produção, por conta de janeiro ser um mês muito marcado por férias coletivas e paralisações.

Perda de ritmo

Em 12 meses, a indústria acumula alta de 3,1%, mas avanços perdem cada vez mais a intensidade. “Em agosto de 2021, a taxa chegou a registrar 7,2%. Em setembro, foi para 6,5%, 5,7% em outubro, 5,0% em novembro e 3,9% em dezembro”, destacou Macedo.

O que mais caiu

Entre as atividades, as quedas que mais impactaram no resultado de janeiro foram na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias (-17,4%) e indústrias extrativas (-5,2%), que haviam acumulado expansão de 18,2% e de 6,0%, respectivamente, nos dois últimos meses de 2021.

Outras contribuições negativas relevantes vieram de bebidas (-4,5%), de metalurgia (-2,8%), de outros produtos químicos (-2,2%), de máquinas e equipamentos (-2,3%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,4%), de produtos de metal (-3,3%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-4,5%) e de produtos de minerais não-metálicos (-2,4%).

Do lado das altas, destaque para as produções de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,5%) e de produtos alimentícios (1,4%).

Perspectivas

A produção industrial fechou 2021 com um avanço de 3,9%, depois de dois anos seguidos de perdas, mas ainda continua sendo impactada pela alta dos preços das matérias-primas, pela falta de insumos e peças para a geração do bem final e também pela desaceleração da demanda.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu pelo 7º mês consecutivo em fevereiro, para o menor nível desde julho de 2020, segundo indicador da FGV.

Analistas alertam que para o ano o cenário é de estagflação. Ou seja, crescimento perto do zero e inflação ainda elevada, com a alta da taxa de juros e as incertezas relacionadas à eleição presidencial e à guerra na Ucrânia colocando riscos adicionais de freios para o PIB.

Mesmo com a queda do desemprego nos últimos meses, a Selic e inflação persistente têm tirado o poder de compra e de consumo das famílias. Ainda são 12 milhões de desempregados no país, o rendimento médio do trabalhador atingiu no final do ano a mínima histórica e inadimplência chegou no maior patamar em 12 anos.

Os economistas do mercado financeiro projetam atualmente um avanço de apenas 0,42% do PIB em 2022, bem abaixo da média global, e inflação de 5,65%. Parte dos analistas já veem, no entanto, uma inflação acima de 6% no ano.

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