Sexta-feira, 22 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 20 de março de 2023
O grupo criminoso que tentou fraudar empresas de apostas por meio da manipulação de partidas da Série B do Campeonato Brasileiro no ano passado movimentou mais de R$ 1 milhão. De acordo com denúncia do Ministério Público de Goiás, as transações financeiras foram realizadas pela conta da empresa BC Sports Management, cujos sócios são Bruno Lopes de Moura, apontado como líder do grupo, e sua esposa.
A partir de quebras dos sigilos bancários dos envolvidos, a Promotoria descobriu que, em um período de nove meses, a conta teve R$ 1.036.160 em depósitos e uma retirada de valor semelhante – R$ 1.047.233. Os investigadores apontaram um perfil suspeito na movimentação, a começar pelo fato de as transferências serem realizadas sempre através de depósitos em dinheiro e em caixas eletrônicos.
“Transferências suspeitas mediante depósitos em espécie em caixas eletrônicos, com pulverização das operações, indicando, no cenário aqui apresentado, a utilização da conta bancária para movimentação de valores oriundos de manipulação de resultados e apostas”, sublinha um trecho da denúncia do MP-GO.
Os promotores apontaram Camila Moura, mulher de Bruno, como líder administrativa da turma. Ele era a principal responsável por realizar as transferências financeiras a integrantes da organização criminosa, bem como em benefício de jogadores cooptados.
Entenda
Dos 14 investigados na operação, intitulada “Penalidade Máxima”, oito são jogadores. É o caso de Romário, ex-Vila Nova (GO), e de Matheusinho, ex-Sampaio Corrêa (MA). Todos já são considerados réus no processo, desde que Justiça de Goiás aceitou a denúncia do Ministério Público, e estão sujeitos a prisão de até seis anos, sem contar o banimento do futebol.
De acordo com a acusação, o esquema consistia na marcação de pênaltis no primeiro tempo das partidas. Cada atleta envolvido teria recebido R$ 150 mil, enquanto o prejuízo estimado dos apostadores é de R$ 2 milhões.
Leandro Pamplona, advogado e membro da Comissão Especial de Direito dos Jogos Esportivos, Lotéricos e Entretenimento da seccional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), diz que a regulamentação do segmento de apostas pode ajudar a criar punições adequadas para manipulação de resultados. Mas não deve acabar de vez com esse tipo de fraude, que é antigo no esporte.