Quarta-feira, 17 de Julho de 2024

Home em foco Reação dos políticos é motivo mais citado pelos brasileiros para o fim da operação Lava-Jato

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Passados dez anos do ato inicial da Operação Lava-Jato, a maior parte da população avalia que a investigação que se estabeleceu como um marco no combate à corrupção no país, ainda que pontuada por controvérsias e anulações posteriores, produziu resultados mais positivos do que negativos. Uma década depois, também desponta o entendimento de que a força-tarefa que apurou um megaesquema de desvio de dinheiro na Petrobras foi extinta, em 2021, “por causa da ação dos políticos para barrar a operação”.

O diagnóstico é revelado por uma pesquisa da Genial/Quaest que mediu a avaliação da população sobre a operação em entrevistas presenciais feitas entre 25 e 27 de fevereiro. A opinião de que a força-tarefa foi extinta por ação da classe política é citada por 42% dos entrevistados, enquanto outros 25% acham que o fim da Lava-Jato se deu por “exageros e erros por parte dos investigadores e juízes envolvidos na operação”. Foram 8% os que atribuíram o ocaso da força-tarefa à afirmação de que “em 2021, a corrupção no governo havia acabado e já não havia mais nada para investigar”.

A leitura majoritária de que políticos agiram para frear investigações é vocalizada no momento em que cresce na Câmara dos Deputados articulação para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição que limite operações contra parlamentares ao restringir o acesso de policiais às dependências do Congresso — a chamada “PEC da Blindagem”. A ideia tem o apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e deve ter a relatoria de um deputado do Centrão.

Metade da população (50%) diz acreditar que a operação “fez mais bem” ao Brasil, contra 28% que consideram que a Lava-Jato “fez mais mal”. Para 7%, as investigações “não fizeram nem bem, nem mal”, enquanto 15% não souberam ou não quiseram responder. Quase metade dos brasileiros (49%) afirma também que a operação “ajudou a combater a corrupção”, ao passo que 37% dizem que “não” e 4%, que “mais ou menos”.

A Quaest entrevistou presencialmente 2 mil brasileiros de 16 anos ou mais, em 120 municípios. A margem de erro é estimada em 2,2 pontos percentuais para mais ou menos, para um nível de confiança de 95%.

Há mais avaliações favoráveis do que contrárias em relação à Lava-Jato em todos os segmentos da população. A operação é mais bem vista entre os homens (59%), os mais escolarizados (62%), as pessoas de renda média (54%) e renda alta (56%), e os moradores da região Sul (60%).

Divisão por voto

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também têm percepção mais positiva da operação do que os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi condenado em duas ações da Lava-Jato e passou 580 dias na prisão. Entre os que votaram em Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2022, são 61% os que consideram que a operação “fez mais bem” ao país, taxa que é de 42% entre aqueles que apoiaram Lula.

Em relação aos processos enfrentados por Lula, que viria a ter as sentenças anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), os brasileiros se dividem. São 43% os que acham que o petista “sempre foi inocente”, exatamente o mesmo percentual de pessoas que dizem que o atual presidente “é culpado e deveria estar preso”. Outros 14% não souberam ou não quiseram responder.

Mais da metade dos entrevistados de baixa renda, os que têm ganhos familiares de até dois salários mínimos por mês, considera que Lula é inocente (52%), enquanto entre os mais ricos (que ganham acima de cinco salários) 52% acham o contrário.

Eleitores de Lula tendem a vê-lo como inocente. Já bolsonaristas, como culpado. No grupo dos que votaram em branco, nulo ou não foram às suas seções eleitorais no segundo turno de 2022, há uma parcela maior que considera o petista culpado (47%), contra 30% que acreditam na inocência do atual chefe do Executivo federal.

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