Quinta-feira, 18 de Julho de 2024

Home em foco Uma década depois do início da Lava-Jato, a atuação do ex-juiz e hoje senador Sergio Moro na condução de processos não só divide a população brasileira como fica aquém do patamar de percepção positiva

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Dez anos após o início da Lava-Jato, a atuação do ex-juiz e hoje senador Sergio Moro (União-PR) na condução de processos do caso, na 13ª Vara Federal de Curitiba, não só divide a população brasileira como fica aquém do patamar de percepção positiva sobre o legado da operação como um todo. É o que revela a pesquisa Genial/Quaest sobre como os brasileiros avaliam as investigações.

Se metade dos brasileiros defende que a Lava-Jato fez mais bem do que mal ao país, o trabalho de Moro —responsável por julgar casos da operação antes de se tornar ministro da Justiça e Segurança Pública do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — tem a desaprovação de 44% da população, contra 40% que aprovam a condução dos processos pelo ex-magistrado. Considerando a margem de erro estimada para a pesquisa, de 2,2 pontos percentuais para mais ou menos, trata-se de um empate técnico entre os dois grupos.

Reflexo das eleições

São 3% os que “nem aprovam, nem desaprovam” o trabalho de Moro. Outros 12% não souberam ou não responderam ao questionamento feito pela pesquisa.

Após deixar a magistratura, o ex-juiz teve decisões anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que o declarou parcial para julgar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As contestações sobre seus atos escalaram a partir da divulgação de mensagens trocadas com outras autoridades envolvidas nas investigações, em especial o então procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa em Curitiba. Os diálogos foram hackeadas no caso que se tornou conhecido como “Vaza-Jato”.

Os recortes da pesquisa Genial/Quaest por estratos sociais mostram que o apoio ou a rejeição ao trabalho de Moro acompanham a divisão observada na disputa eleitoral entre Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-juiz alcança percentuais mais altos de desaprovação justamente entre eleitores do petista no segundo turno da disputa de 2022 (63% desaprovam) e moradores do Nordeste (57% desaprovam), região que tradicionalmente prefere o PT em corridas presidenciais.

Embora a atuação de Moro na Lava-Jato divida os homens (46% aprovam e 45% desaprovam), a desaprovação se descola entre as mulheres: 44% veem seu trabalho de forma negativa, enquanto 35% o classificam como positivo.

Por outro lado, a aprovação da conduta do senador durante a operação é maior entre eleitores de Bolsonaro (65% aprovam) e moradores da região Sul. Na campanha de 2022, quando disputou mandato de senador pelo Paraná, para o qual acabou eleito, Moro se reaproximou do antigo chefe, após deixar o Ministério da Justiça em 2020 acusando Bolsonaro de interferir na atuação da PF.

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