Terça-feira, 12 de Maio de 2026

Home Política Rei das festas e discreto na toga, saiba quem é o ministro que comandará o Tribunal Superior Eleitoral a partir desta terça

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Kassio Nunes Marques nasceu no subúrbio de Teresina (PI). Vendeu laranja na rua onde morava, empresariou um carrinho de cachorro-quente, foi dono de lotérica e comprou uma franquia da marca Hering. No percurso entre esse mundo até chegar a uma das 11 cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF), venceu não apenas os 1.700 quilômetros de distância geográfica, mas o abismo social que o separava do centro do poder com a ajuda dos amigos influentes que fez pelo caminho.

Antes de alçar os holofotes, formou-se em Direito em 1996 e abriu um escritório de advocacia. Defendeu empresas como Eletrobras, Banco do Estado do Piauí e Rede Ferroviária Federal. Também foi diretor jurídico de um conglomerado de planos de saúde que inclui a Unimed. Não era o suficiente.

Chegou ao Judiciário em 2008, nomeado por Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga no Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI). Dois anos depois, foi reconduzido ao cargo. Aproximou-se de José Sarney e de Romero Jucá, ambos do MDB, e acabou escolhido por Dilma Rousseff para uma vaga de desembargador do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1), em Brasília, em 2011.

A chegada à capital federal deu a Nunes Marques a chance de se aproximar de poderosos. Tinha no foco uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Um dos apoiadores era Dias Toffoli, do STF, com quem fez amizade quando virou desembargador.

Nunes Marques caiu nas graças do Centrão pelas mãos do senador Ciro Nogueira (PPPI). É por causa dessa relação “íntima e notória” que senadores pediram a suspeição do ministro para analisar a abertura de uma CPI do Master.

O STF foi acionado no dia 25 de março por um mandado de segurança para tornar obrigatória a instalação de uma CPI para investigar o caso do banco de Daniel Vorcaro, depois que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ignorou os requerimentos que pediam a abertura da comissão. Nunes Marques foi escolhido por sorteio como relator do mandado de segurança, mas até hoje não deu uma decisão.

Segundo investigação da Polícia Federal, Ciro Nogueira recebia mesada de R$ 500 mil do dono do Banco Master, além de hospedagem em hotel de luxo e despesas com cartão de crédito pagas pelo banqueiro em troca da defesa dos interesses dele no Congresso.

O próprio ministro se viu envolvido no caso Master após a revelação pelo Estadão do pagamento do banco a uma consultoria que depois contratou um dos seus filhos.

Aproximação

Foi por meio de Ciro Nogueira que Nunes Marques chegou perto de Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho “01” do então presidente, foi o principal cabo eleitoral do hoje ministro. Bolsonaro gostou tanto do candidato que preferiu lhe dar uma cadeira no STF em outubro de 2020, em substituição a Celso de Mello, que se aposentara.

A partir desta terça (12) ministro presidirá o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a disputa pelo Palácio do Planalto. Flávio Bolsonaro deve se registrar como um dos concorrentes.

A forma como chegou ao Supremo deu a Nunes Marques a marca de bolsonarista, mas ele nunca teve relação estreita com o ex-presidente. A proximidade era com integrantes do PP e do União Brasil. Ou seja: o ministro era um nome do Centrão. Quando tomou posse no STF, ampliou os horizontes políticos e se consolidou como habilidoso articulador de bastidor.

A principal arma do ministro para manter a influência em Brasília são as festas que promove em casa, no Lago Sul, bairro nobre da capital federal.

Com a habilidade política de conversar com todo mundo – uma lição aprendida na cartilha do Centrão –, Nunes Marques é capaz de reunir no mesmo evento o ex-presidente Michel Temer, os cantores Diogo Nogueira e Jorge Aragão, os ministros do STF Alexandre de Moraes e André Mendonça, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e os senadores Ciro Nogueira e Otto Alencar (PSD-BA).

Festeiro e discreto

“Eu falo com todo mundo”, diz o ministro. Para quem assiste às sessões do Supremo, não parece. O ministro tem estilo discreto, tom de voz baixo, raramente participa de bate-bocas no plenário e não costuma dar entrevista. Nas festas, deixa os convidados à vontade. Não puxa assunto sobre polêmicas da política ou do tribunal.

Com a posse na presidência do TSE agendada para a próxima terça-feira, Nunes Marques, de 53 anos, já planeja o primeiro ato no cargo: comemorar com uma festa de arromba em um salão de Brasília. Como em posses de outros presidentes da nata do Judiciário, a celebração será organizada e paga por associações de magistrados.

Quando chegou ao Supremo, Nunes Marques se descolou de Bolsonaro, com quem já não mantinha contato antes mesmo da condenação e da prisão por tentativa de golpe. Ao mesmo tempo, aproximou-se de Lula quando o novo presidente tomou posse, em 2023. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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