Segunda-feira, 03 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 2 de agosto de 2026
A defesa da lobista Roberta Luchsinger protocolou um pedido para que seja instaurado um inquérito destinado a apurar um possível vazamento de informações sigilosas envolvendo conversas mantidas entre ela e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A solicitação foi apresentada diante da suspeita de que conteúdos protegidos por segredo de Justiça tenham chegado ao conhecimento de terceiros durante o andamento de uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF).
O requerimento foi encaminhado tanto à Procuradoria-Geral da República (PGR) quanto à PF e solicita a adoção de medidas para identificar a origem de um eventual compartilhamento irregular das informações. Segundo o documento apresentado pelos advogados da lobista, a apuração deve abranger todos os policiais federais que tiveram acesso ao procedimento investigativo, incluindo delegados cedidos ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela condução do caso na Corte.
O pedido tem como fundamento uma reportagem publicada pelo jornal O Globo, segundo a qual integrantes da campanha do senador Flávio Bolsonaro teriam obtido acesso a conversas protegidas por sigilo judicial. As mensagens fazem parte da Operação Sem Desconto, investigação que apura suspeitas de fraudes relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A divulgação da informação levou a defesa de Roberta Luchsinger a pedir a abertura de uma investigação específica para esclarecer de que forma o conteúdo teria deixado o ambiente restrito da apuração.
A suspeita de vazamento também provocou um ambiente de tensão entre integrantes da Polícia Federal e do gabinete do ministro André Mendonça. Conforme informações divulgadas nos bastidores da investigação, assessores do ministro passaram a levantar suspeitas de que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, estaria repassando informações privilegiadas ao Palácio do Planalto. Diante desse cenário, uma das providências adotadas por Mendonça ao assumir a relatoria de investigações consideradas sensíveis foi impedir que a equipe de policiais responsável pelos casos mantivesse comunicação direta com o diretor-geral da corporação.
Em sentido contrário, policiais federais ligados à direção da instituição afirmam que eventuais vazamentos não ocorreriam na fase de investigação conduzida pela PF, mas posteriormente, quando os autos e as informações passam a ser encaminhados ao gabinete do ministro relator no Supremo Tribunal Federal.
Apesar das suspeitas levantadas por ambos os lados, tanto a Polícia Federal quanto o gabinete do ministro André Mendonça negam qualquer participação em vazamentos de informações protegidas por sigilo judicial e afirmam que os procedimentos são conduzidos de acordo com os protocolos legais.
No pedido encaminhado às autoridades, os advogados Bruno Salles e Marco Antonio Chies Martins também requerem a apreensão de computadores, telefones celulares e quaisquer outros equipamentos eletrônicos utilizados por agentes da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal que tiveram acesso às informações da investigação, como forma de auxiliar na identificação da origem de um eventual vazamento. (Com informações do colunista Octavio Guedes, do portal de notícias g1)