Quarta-feira, 19 de Agosto de 2026

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Relatório divulgado nessa segunda-feira (17) pela Serasa Experian aponta no Rio Grande do Sul um total de 527.555 empresas inadimplentes em junho – segundo maior número da Região Sul do País. Já pelo critério de valor da pendência financeira por pessoa jurídica, o Estado superou Santa Catarina e Paraná, com uma média ligeiramente acima de R$ 36 mil no período.

Ao considerar toda a Região Sul, foram contabilizadas 1.565.690 empresas inadimplentes e 14.501.143 dívidas negativadas, que somaram cerca de R$ 51,8 bilhões em junho. Santa Catarina registrou 436.149 empresas negativadas, enquanto o Paraná concentrou o maior número de CNPJs inadimplentes.

Em âmbito nacional,  o número de firmas nessa situação ficou acima de 9,1 milhões, maior patamar da série histórica. O volume financeiro das dívidas negativadas no segmento chegou a R$ 232,9 bilhões. Em média, cada empresa inadimplente acumulou 7,3 contas em atraso, com dívida média de R$ 25.508 por CNPJ.

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o encerramento do primeiro semestre confirma a continuidade de um ambiente desafiador para os negócios. Segundo ela, a inadimplência continua avançando mesmo após o início do ciclo de cortes da Selic, enquanto as condições financeiras permanecem restritivas e os juros seguem elevados em termos históricos:

“Esse cenário limita uma melhora mais consistente do mercado de crédito e ocorre em um momento de desaceleração da atividade econômica, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas enquanto muitas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa”.

Setores mais afetados

Do total de empresas negativadas em junho, 55,7% pertencem ao setor de Serviços. Na sequência aparecem Comércio (32,2%), Indústria (8%) e Setor Primário (0,9%).

A composição das dívidas indica que muitas empresas continuam recorrendo ao crédito para sustentar a operação e administrar o capital de giro, em vez de utilizá-lo necessariamente para investir ou expandir os negócios.

Em relação à origem das dívidas, a categoria “Serviços” foi responsável pela maior parcela, com 31,6%, seguido por Bancos/Cartões (19,5%), Cooperativas (8,4%), Utilities (6,9%) e Telefonia (6%).

As micro e pequenas empresas continuam representando a maioria das empresas inadimplentes no País. Em junho, o grupo somou 8,6 milhões de CNPJs negativados, com 59,7 milhões de dívidas, que totalizaram R$ 201,4 bilhões.

Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,9 contas inadimplidas, com dívida média de R$ 23.181 e ticket médio de R$ 3.370. Camila Abdelmalack corrobora que o cenário é especialmente preocupante para negócios de menor porte, por enfrentarem maior pressão sobre o fluxo de caixa e ter sua capacidade de investimento e crescimento reduzida diante do volume de compromissos financeiros.

Metodologia

O Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas mensura o número de empresas brasileiras em situação de inadimplência. Uma empresa é considerada inadimplente quando possui ao menos um compromisso financeiro vencido cujo não pagamento foi formalmente comunicado pelo credor. A apuração considera as notificações registradas até o último dia do mês de referência.

(Marcello Campos)

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