Domingo, 14 de Julho de 2024

Home em foco Rússia alerta Otan para conflito “inevitável” caso tropas europeias sejam enviadas à Ucrânia

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O Kremlin alertou, nessa terça-feira (27), que o conflito entre a Rússia e a aliança militar da Otan se tornaria inevitável se os membros europeus enviassem tropas para lutar na Ucrânia.

O presidente francês, Emmanuel Macron, discutiu abertamente a possibilidade das nações europeias enviarem tropas para a Ucrânia

No entanto, Macron alertou que não há consenso sobre tal medida neste momento, uma vez que os aliados concordaram em intensificar os esforços para entregar mais munições a Kiev.

“O próprio fato de discutir a possibilidade de enviar certos contingentes de países da Otan para a Ucrânia é um novo elemento muito importante”, disse o porta-voz do Kremlin ,Dmitry Peskov, a jornalistas quando questionado sobre as falas de Macron.

Questionado pelos repórteres sobre quais seriam os riscos de um conflito direto Rússia-Otan se os membros da Otan enviassem as suas tropas para lutar na Ucrânia, Peskov disse: “Nesse caso, precisaríamos falar não sobre a probabilidade, mas sobre a inevitabilidade (de um conflito direto).”

O envio de tropas ocidentais para a Ucrânia “não pode ser descartado”, disse Macron, após organizar uma conferência em Paris, onde os líderes europeus discutiram a perspectiva.

“Não houve acordo nesta noite para enviar oficialmente tropas para o terreno, mas não podemos excluir nada”, destacou aos repórteres.

A conferência de ajuda à Ucrânia reuniu representantes dos 27 países membros da União Europeia, incluindo 21 chefes de Estado e de governo, anunciou.

“Faremos tudo o que pudermos para impedir que a Rússia ganhe esta guerra. E digo isso com determinação, mas também com a humildade coletiva que precisamos ter, à luz dos últimos dois anos”, advertiu.

“As pessoas que hoje disseram ‘nunca’ [sobre envio de tropas] foram as mesmas que disseram nunca para [envio de] aviões, mísseis de longo alcance, caminhões. Disseram tudo isso há dois anos”, comentou.

“Muita gente nesta mesa disse que ‘vamos oferecer capacetes e sacos de dormir’, e agora dizem que precisamos de fazer mais para conseguir mísseis e tanques. Temos que ser humildes e perceber que sempre nos atrasamos de seis a oito meses”, pontuou Macron.

O chefe de Estado francês também anunciou que será criada uma nova coligação para fornecer “mísseis e bombas” de médio e longo alcance à Ucrânia.

Os líderes da União Europeia e os representantes governamentais “decidiram intensificar o lado das munições e produzir resultados tangíveis muito rapidamente” nas oito coligações que já existem, informou Macron.

Ocidente

Líderes ocidentais negaram a fala de Emmanuel Macron de que o envio de tropas ocidentais para a Ucrânia “não pode ser descartado”. O ministro da Defesa da França, por sua vez, defendeu Macron, destacando que “dizer que não excluímos nada não é fraqueza nem escalada”.

Um oficial da Otan, a aliança militar ocidental, disse que “não há planos” para enviar tropas de combate para a Ucrânia. Ele pontuou que, juntamente com os seus aliados, já estão fornecendo “apoio militar sem precedentes” ao país e continuarão apoiando a nação europeia como têm feito até agora.

Os Estados Unidos, por meio do Departamento de Estado, reiterou que o presidente Joe Biden descartou o envio de tropas dos EUA para lutar na Ucrânia.

“Certamente, cada país é livre para falar no seu próprio interesse, mas, além de o presidente ter deixado claro que os EUA não enviarão tropas para combater na Ucrânia, o secretário-geral da Otan descartou quaisquer tropas da aliança para combater na Ucrânia”, advrtiu o porta-voz Matthew Miller.

O chanceler alemão, Olaf Scholz, disse que as nações concordaram na reunião que “não haverá tropas terrestres, nem soldados em solo ucraniano enviados para lá por países europeus ou Estados da Otan”.

O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, alertou que as propostas dos Estados ocidentais para enviar tropas para a Ucrânia levariam a uma “escalada significativa de tensões”. Fico destacou que seu governo “nunca concordará em enviar tropas eslovacas para a guerra na Ucrânia”.

O primeiro-ministro Donald Tusk, da Polônia, afirmou que o país “não está considerando enviar os nossos soldados para a Ucrânia”, mas ressaltou que deve ajudar a Ucrânia a se defender contra a invasão russa, de acordo com a Agência de Imprensa Polaca.

O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, disse que o país não está preparado para enviar armas ou soldados para a Ucrânia. “A guerra deve acabar, não ser aprofundada e ampliada”, ponderou ele em uma publicação no Facebook.

O Reino Unido também não tem planos de enviar tropas para a Ucrânia, observou um porta-voz do primeiro-ministro Rishi Sunak, segundo a Reuters.

O gabinete da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, sublinhou que tem havido “total coesão” entre os aliados sobre o “apoio” à Ucrânia, mas “este apoio não contempla a presença” de tropas europeias ou da Otan em território ucraniano.

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