Domingo, 29 de Maio de 2022

Home Mundo Rússia diz que não pretende derrubar governo da Ucrânia; guerra completa duas semanas

Compartilhe esta notícia:

A invasão russa da Ucrânia não tem entre seus objetivos derrubar o governo do presidente Volodimir Zelenski, afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, nesta quarta-feira (9), dia em que a guerra completa duas semanas.

A fala demonstra certa mudança no tom adotado sobretudo no começo da guerra, iniciada na madrugada de 24 de fevereiro pelo presidente Vladimir Putin com o objetivo declarado de “desnazificar” a Ucrânia, em meio a acusações de que a gestão Zelenski tinha associações com grupos neonazistas.

O líder ucraniano vem afirmando ser o “alvo número 1” russo e que pode ser morto a qualquer momento.

Na segunda-feira (7), o porta-voz do Kremlin, Dimitri ​Peskov, listou à agência de notícias Reuters condições para o fim da guerra, que não incluíam a queda de Zelenski. Segundo ele, a operação almeja que a Ucrânia se renda militarmente; mude sua Constituição para garantir que nunca irá integrar a Otan (aliança militar ocidental) ou a União Europeia; e reconheça a Crimeia anexada em 2014 como russa, e as regiões separatistas do Donbass, no leste, como independentes.

Zakharova defendeu nesta quarta que a guerra tem saído conforme o planejado, contrariando analistas que apontam dificuldades maiores do que as previstas pelos russos a princípio. Ela afirmou também que a Rússia nunca ameaçou a Otan, mas que o país deve reagir aos “movimentos de confronto” da aliança.

Em entrevista cheia de denúncias contra países ocidentais, que fecharam o cerco contra Moscou, a porta-voz ainda acusou os EUA de financiarem laboratórios na Ucrânia para desenvolver “componentes de armas biológicas”, nos quais haveria amostras de cólera e antrax, entre outros elementos letais. Um porta-voz do Pentágono afirmou que “essa desinformação russa absurda é patentemente falsa”.

Nesta quarta, a operadora ucraniana de energia Ukrenergo afirmou que a produção da usina de Tchernóbil, origem da pior catástrofe nuclear civil, em 1986, “está totalmente desconectada da rede de energia elétrica devido às ações militares dos ocupantes russos”. “O local não tem mais fornecimento de energia elétrica.”​

O décimo quarto dia de guerra começou com a promessa de um novo cessar-fogo temporário para permitir a saída de civis. As outras tréguas anunciadas até aqui não foram respeitadas, deixando centenas de milhares de pessoas presas em cidades sitiadas, sem acesso a água potável e medicamentos.

A Rússia prometeu respeitar uma trégua das 9h às 21h do horário local (4h às 16h no horário de Brasília) desta quarta-feira. Nesta manhã, a vice-primeira-ministra ucraniana, Irina Vereshchuk, afirmou que os dois lados do conflito concordaram em respeitar o cessar-fogo.

O anúncio de trégua desta quarta foi semelhante ao de terça (8), que prometia a fuga segura pelas cidades de Kiev, Kharkiv, Chernihiv, Sumi e Mariupol. Até agora, no entanto, apenas um corredor funcionou de fato, saindo de Sumi, na terça, quando cerca de 5.000 pessoas deixaram a cidade.

A situação é tensa sobretudo em Mariupol, cidade portuária ao sul, cercada por tropas russas há mais de uma semana, onde a Cruz Vermelha descreve a situação dos civis como apocalíptica.

Moradores se abrigam nos subsolos para se protegerem dos bombardeios constantes, sem acesso a comida, água, energia ou aquecimento e sem poder retirar os feridos.

Um cessar-fogo na região já havia falhado no sábado. O governo ucraniano disse que 30 ônibus e oito caminhões de suprimentos foram bombardeados pela Rússia na terça-feira, violando o cessar-fogo, e não conseguiram chegar à região. Moscou culpou Kiev por não deter o fogo. Nas duas maiores cidades da Ucrânia, Kiev e Kharkiv, a oferta de corredores humanitários do governo russo forçaria os civis a irem para a própria Rússia ou à sua aliada Belarus, propostas rejeitadas pelo governo ucraniano.

Nesta quarta, Zelenski afirmou que só o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia pode evitar uma catástrofe humanitária, que seria de responsabilidade da comunidade internacional.

“A Rússia usa mísseis, aviões e helicópteros contra nós, contra civis, contra nossas cidades, contra nossa infraestrutura. É dever humanitário do mundo responder”, disse o líder ucraniano, em discurso na TV.

Mais de 2 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde que Putin invadiu o país, há duas semanas. A guerra rapidamente lançou a Rússia em um isolamento econômico nunca antes visto em um mercado desse porte. Os Estados Unidos anunciaram na terça a proibição de importações de petróleo russo.

Empresas ocidentais também têm se retirado do mercado russo, como Starbucks, Coca-Cola e Pepsi. A mais simbólica, no entanto, é o McDonald’s, que anunciou na terça-feira o fechamento de seus quase 850 restaurantes no país. A primeira loja russa da rede, que atraiu enormes filas para a praça Púchkin, em Moscou, quando foi inaugurada em 1990, foi um emblema do fim da Guerra Fria.

Nesta quarta, a União Europeia anunciou novas sanções, agora contra 160 parlamentares e oligarcas russos, além da proibição de exportação de tecnologia marítima para a Rússia e a inclusão de criptoativos na lista de bens congelados.​

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

“Fiquei constrangida”, diz presidente do Conselho de Ética sobre Arthur do Val
Voos diretos entre Passo Fundo e Campinas (SP) retornam a partir de 25 de abril
Deixe seu comentário
Pode te interessar
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play

No Ar: Pampa Na Madrugada