Domingo, 16 de Janeiro de 2022

Home em foco Saiba como é o hotel de refugiados onde está Djokovic na Austrália

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Durante meses, ativistas se reuniram na frente de um hotel decadente no centro de Melbourne, Austrália, pedindo que dezenas de refugiados ali retidos fossem soltos. No entanto, um grupo diferente de manifestantes tinha um detento incomum em vista: o número um do tênis mundial Novak Djokovic, confinado ao hotel enquanto tenta revogar a suspensão de seu visto antes do Aberto da Austrália.

Os organizadores do torneio disseram que Djokovic – que já criticou no passado a exigência da vacina contra a covid-19 – recebeu uma “isenção médica” da exigência de que os visitantes internacionais devem ser totalmente vacinados para entrar no país.

Djokovic chegou á Austrália e teve seu visto revogado, com o primeiro-ministro Scott Morrison dizendo que o sérvio de 34 anos “não tinha uma isenção médica válida”.

O Tennis Australia, órgão regulador do esporte no país, foi avisado em uma carta em novembro de 2021 de que jogadores não vacinados com uma infecção recente de covid-19 não poderiam entrar no país com base em diretrizes de saúde pública, conforme explicou o primeiro-ministro aos repórteres quinta-feira.

A equipe jurídica de Djokovic obteve uma liminar contra a decisão, mas ainda não está claro se o campeão masculino do Aberto da Austrália na categoria individual poderá competir no torneio, que começa em 17 de janeiro.

Os documentos do Tribunal publicados no sábado pelo Circuito Federal da Austrália mostram que Djokovic se beneficiou de uma isenção médica para competir após testes positivos para covid-19 feitos em dezembro.

Seus advogados estão apelando contra o cancelamento do visto e não quiseram comentar antes da audiência na corte, marcada para segunda-feira (10).

O caso Djokovic foi muito além de uma emissão individual de visto. Ele causou raiva em pessoas que sentem que os ricos e poderosos podem viajar com facilidade mesmo em meio às duras regras da Austrália na pandemia, que separou famílias durante quase dois anos.

O evento também irritou os grupos antivacina que acreditam que as restrições do coronavírus estão invadindo suas liberdades civis. Além disso, o caso trouxe preocupações da comunidade sérvia da Austrália, que acredita que Djokovic está sendo atacado injustamente.

A novela Djokovic também destacou a situação dos requerentes de asilo na Austrália. Embora o astro do tênis seja, em última análise, autorizado a jogar no torneio ou forçado a sair do país, outros detidos no mesmo edifício estão presos há anos e enfrentam uma detenção indefinida ao abrigo das duras regras de imigração da Austrália.

Centro de refugiados

Mas outros concentraram sua atenção nos cerca de 30 refugiados mantidos no hotel.

Antes utilizado pelo governo australiano como instalação de quarentena para Covid-19, o hotel tem sido um local alternativo de detenção (APD na sigla local) para refugiados e requerentes de asilo durante pelo menos um ano.

Há quase uma década, a Austrália disse que nenhum requerente de asilo que chegasse de barco poderia ficar no país. Centenas foram alojados em centros de processamento na costa durante anos, e outros foram enviados a hotéis na Austrália para serem tratados por problemas de saúde.

Os refugiados ainda têm pouca esperança de liberdade e as condições em que se encontram são extremamente controversas.

Como é lá dentro

Os apoiadores de Djokovic atacaram o tratamento dado ao tenista. A mãe do atleta disse que seu filho está sendo “tratado como um prisioneiro”.

“Lá é tão sujo e a comida é tão horrível”, disse Dijana Djokovic aos repórteres quinta-feira em uma coletiva de imprensa na capital da Sérvia, Belgrado. “Não é justo. Não é humano”.

John Isner, estrela de tênis norte-americano, também tuitou em apoio a Djokovic, dizendo que mantê-lo no hotel “não está certo”.

“Não há justificativa para o tratamento que ele está recebendo. Ele seguiu as regras, foi autorizado a entrar na Austrália e agora ele está sendo detido contra sua própria vontade. É uma vergonha.”

A ministra para assuntos internos da Austrália, Karen Andrews, disse na sexta-feira que Djokovic “não está preso” e pode deixar o país quando quiser.

“Ele é livre para sair a qualquer momento que quiser e a Força de Fronteiras vai facilitar isso”, disse Andrews à emissora pública ABC. “É da responsabilidade do viajante individual garantir toda a documentação necessária para entrar na Austrália.”

As leis australianas de imigração permitem uma proibição de reentrada no país até três anos após o cancelamento de vistos em determinadas condições – mas não está claro se Djokovic enfrentará tal penalidade.

Numa declaração, a Associação Profissional de Jogadores de Tênis disse que Djokovic tinha garantido seu estado de saúde.

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