Quinta-feira, 20 de Junho de 2024

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A curiosidade sobre sonhos “estranhos” é sempre popular na internet. Apenas nos Estados Unidos, a pergunta “por que estou tendo sonhos esquisitos ultimamente?” quadruplicou em 2020. Personalidades midiáticas têm comentado sobre o assunto em páginas do Facebook e, ansiosos para publicar histórias alegres, veículos de notícia se apressam para fornecer a resposta.

E a conclusão é: sim, outras pessoas também estão tendo sonhos estranhos ultimamente. Mas uma outra questão, que também parece ser verdadeira, é: a humanidade tem sonhado com mais frequência e de maneira mais vívida. Na maior parte das vezes, os sonhos são fugitivos e sua análise é baseada em informações incompletas.

Os sonhos ocorrem aproximadamente a cada 90 minutos durante o sono REM (fase do sono na qual ocorrem os sonhos mais vívidos), um estágio do descanso caracterizado por movimentos rápidos dos olhos. Os períodos REM se prolongam ao longo de uma noite de sono e aumentam na chamada “densidade REM”, refletindo níveis mais altos de atividade no cérebro adormecido.

Assim, uma pessoa que dorme mais tem maior probabilidade de ter períodos de sonho mais longos e vibrantes. Em pessoas cuja privação de sono é crônica, este efeito é intensificado: alguém que tenta “recuperar” o sono e cochila por 10 ou mais horas probavelmente terá sonhos tão vívidos quanto aqueles vivenciados por narcolépticos (distúrbio do sono caracterizado pela sonolência excessiva).

Transformação dos sonhos

Durante a pandemia, a vida das pessoas passou por inúmeras transformações. Para populações indefinidamente confinadas dentro de casa, a cronometragem do sono não parece mais ligada aos movimentos odenados do sol, mas ao acaso. A realidade surreal também espelha lembranças que são exploradas no sono: as máscaras são ridicularizadas até serem obrigatórias; uma praga invisível faz pessoas ficarem doentes ao acaso; tocar em qualquer coisa — tudo — é proibido.

Metáforas e pesadelos

Deirdre Barrett, psicóloga da Harvard Medical School que passou as últimas quatro décadas estudando sonhos, está em alta demanda ultimamente. Com o objetivo de coletar dados dos sonhos na pandemia, a Dra. Barrett criou uma pesquisa pública em que os entrevistados descevem quaisquer sonhos que tenham tido e que sintam estar “relacionados à covid”. Os participantes relatam se tiveram experiências específicas com o vírus, como no caso de profissionais da saúde, e se foram sintomáticos ou testados para a doença.

Perigos e ameaças difíceis de visualizar, como medos abstratos, ou mesmo os mais reais — como um ataque de gás venenoso, por exemplo — geralmente fazem com que metáforas semelhantes apareçam no sono de pessoas preocupadas, segundo a psicóloga. Mais comuns, maremotos e monstros também aparecem com frequência.

Rastro do trauma

Pesadelos são amplamente conhecidos por seguirem o rastro do trauma, e para sobreviventes com transtorno de estresse pós-traumático, o efeito é ainda mais notável. Sonhos perturbadores frequentes são descritos como uma “marca registrada” de pessoas que vivenciam esta condição.

Experiências de traumas curtos e intensos, disse Barrett — como uma guerra ou turnos de trabalho de 12 horas em um hospital sobrecarregado por pacientes com covid — “têm imagens específicas e vívidas que acompanham o trauma”, de modo que é mais provável que se manifestem em sonhos mais realistas.

Sonhos relacionados ao vírus, como, por exemplo, enfermeiros gerenciando o caos do surto em primeira mão, podem ser diferenciados daqueles do público em geral. Isso porque há um realismo gritante — e sonhos consistem, em essência, em variações de cenas da vida real dos seus dias.

“As pessoas que estão decidindo se devem dar um ventilador a um paciente ou não e têm visto corpos alinhados em corredores certamente estão atendendo aos critérios usuais para o que chamamos de trauma agudo, então esperamos ver casos pós-traumáticos”, disse Barrett.

Embora pessoas que tenham trabalhado de casa possam perceber sonhos literais relacionados à pandemia, os deles são, em geral, mais propensos a serem menos realistas, de acordo com a psicóloga. Isso não significa, porém, que eles não estejam relacionados ao mesmo tópico na mente de todos.

Isolamento coletivo

Em 1940, um oficial do exército britânico chamado Kenneth Davies Hopkins começou a registrar os sonhos noturnos de seus companheiros de prisão em um campo de prisioneiros na Alemanha. Ele pretendia usar os dados para uma dissertação de doutorado, mas morreu de enfisema antes de concluir o projeto, deixando para trás registros manuscritos de várias centenas de sonhos.

As condições no campo dos oficiais não eram nada parecidas com as dos campos de concentração e extermínio administrados pelos nazistas. Os prisioneiros eram alimentados e alojados adequadamente, embora sua interação social e liberdade de movimento fossem restringidas. E a maioria dos homens não tinha visto muitos combates, tendo sido capturados na primeira batalha que travaram, disse Barrett sobre os presos, cujos registros de sonhos ela analisou em 2012.

Embora obviamente não haja uma comparação direta entre prisioneiros de guerra e pessoas que simplesmente foram instadas a ficar em casa e talvez estejam entediadas, as circunstâncias do isolamento dos prisioneiros – confinados, mas não torturados; privados, mas não famintos; separados de amigos e familiares, mas autorizados a se corresponder; detidos inesperadamente por um período de tempo desconhecido – pode oferecer algumas ideias sobre nossa topografia onírica atual.

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