Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2022

Home Saúde Saiba por que a sociedade médica de endocrinologia condena o chip da beleza

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a propaganda de produtos (industrializados ou manipulados) com gestrinona, hormônio esteroide com ação anabolizante usado no popular “chip da beleza”. A decisão foi publicada na semana passada no Diário Oficial da União e atende a um alerta feito pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Para o médico Alexandre Hohl, presidente do departamento de Endocrinologia feminina, andrologia e Transgeneridade da SBEM, a decisão da Anvisa é acertada e representa o primeiro passo para tentar coibir os excessos com o uso dessa substância. A propaganda dos implantes de gestrinona é extremamente comum, principalmente nas redes sociais.

“O chamado chip da beleza é uma forma inadequada do uso de hormônios, visto que a gestrinona é um hormônio anabolizante e não é usada para tratar doença nenhuma nesse chip. O uso é apenas estético, com a possibilidade de inúmeros efeitos adversos. Parte do abuso desses implantes está associada à propaganda”, diz Hohl.

No início de novembro, a SBEM alertou sobre o uso abusivo e indiscriminado do chip da beleza no Brasil. Este documento foi enviado à Anvisa, ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e à Associação Médica Brasileira (AMB). Após encontros entre as entidades, a Gerência-Geral de Medicamentos e Produtos Biológicos (GGMED) da Anvisa verificou que não há medicamentos contendo gestrinona com registro sanitário válido no Brasil e publicou nota técnica na qual afirma que “não é possível alegar que esses produtos são eficazes e seguros, o que representa, per se, um risco à saúde pública”.

Chip da beleza

O famoso chip da beleza nada mais é do que um tubinho de silicone, com 3 a 5 centímetros de comprimento e 3 mm de espessura, alocado sob a pele, que libera hormônios gradualmente. As principais promessas do ponto de vista de saúde são evitar a gravidez, amenizar a cólica e a dor de cabeça durante a menstruação, com a vantagem de tonificar o corpo, aumentar a disposição e incrementar a libido.

No entanto, para que os benefícios estéticos sejam alcançados esses implantes são manipulados e incluem uma mistura de hormônios, a depender dos efeitos desejados. A gestrinona é o mais usado, pois além de inibir a ovulação, estimula a ação da testosterona, que ajuda a diminuir a massa gorda, aumentar a massa muscular e aumentae a libido. O problema é que a utilização de qualquer hormônio com finalidades estéticas não é reconhecida e esse uso pode ser acompanhado por vários efeitos colaterais. Além disso, devido à sua ação anabolizante, a gestrinona está na lista de substâncias proibidas no esporte da World Anti-Doping Agency (WADA).

Os principais efeitos colaterais da gestrinona são: acne, aumento de oleosidade de pele, queda de cabelo, aumento de pelos no corpo, mudança de timbre da voz e aumento do clitóris. Também pode haver problemas mais graves, como doença no coração, no fígado e até mesmo morte. Além disso, como esses produtos são manipulados, a paciente fica sem as informações básicas sobre indicações, posologia, interações medicamentosas, estudos de segurança e eficácia e efeitos adversos.

Implante hormonal

Atualmente, o único implante hormonal industrializado aprovado pela Anvisa é o Implanon, nome comercial do implante anticoncepcional composto por etonogestrel, um tipo de progesterona. O produto evita a gravidez, mas não causa os efeitos estéticos almejados.

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