Terça-feira, 16 de Abril de 2024

Home em foco “Se não falarmos em política hoje, não podemos amanhã falar em Deus”, diz Bolsonaro em culto evangélico

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O presidente Jair Bolsonaro (PL) fez um discurso em tom de guerra religiosa com apelo para pauta de costumes durante um culto da Assembleia de Deus de Madureira no Rio de Janeiro neste sábado (10). Sem citar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário na corrida eleitoral, ele afirmou que grupos que governaram anteriormente o Brasil são hostis a pastores e padres e defendem a “ideologia de gênero”, o aborto e a liberação das drogas.

Bolsonaro foi convidado pelo líder da igreja, o bispo Abner Ferreira, e falou durante quinze minutos ao lado do governador do Rio Cláudio Castro (PL), da candidata ao Senado, Clarissa Garotinho (União-RJ), e do deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) numa arena lotada com milhares de fieis na Vila Militar, Zona Oeste do Rio. A imprensa foi impedida de entrar ou filmar o culto.

Apesar de Abner ter iniciado o culto dizendo que o presidente participaria do culto como uma autoridade e que os religiosos não deveriam fazer manifestações exaltadas com gritos de “mito”, o que se viu foi um discurso de campanha. Bolsonaro seguiu sua cartilha de apelar para pautas morais enfileirando insinuações de que a esquerda seria contra os valores cristãos.

“Se não falarmos em política hoje, não podemos amanhã falar em Deus. O que peço nesse momento como cidadão é que Deus ilumine cada um de vocês para que naquele dia tome a decisão mais certa para o futuro de todos nós”, pregou o chefe do Executivo.

A visita do presidente ao culto marca uma estratégia de Bolsonaro de visitar com frequência espaços evangélicos. Entre o eleitor deste segmento, o chefe do Executivo supera o ex-presidente Lula em votos. De acordo a pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, a vantagem do candidato à reeleição neste segmento passou de 16 para 23 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, divulgado há uma semana. Bolsonaro saltou de 48% para 51% em uma semana, enquanto Lula foi de 32% para 28% no período. As movimentações ficam perto do limite da margem de erro, que, para este nicho, é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

Não havia material de campanha na Arena onde foi realizado o culto. Porém centenas de fiéis seguravam bandeiras do Brasil e bexigas nas cores verde e amarelo. Em diversos momentos o presidente enfatizou a importância dos evangélicos tomarem uma decisão, insinuando que o futuro deles estaria ameaçado.

“A omissão também é pecado. Pra aqueles que lavam as mãos, repito, muita coisa pode acontecer. Temos que tomar decisões. Temos pela frente grupos que defendem o aborto. O ativismo do aborto como se fosse uma extração de dente. Um grupo do outro lado que fala em liberar as drogas. Um grupo que defende também colocar padres e pastores em seus devidos lugares e diz que pra falar com Deus não precisa de padres e pastores.”

Bolsonaro afirmou que governos passados tentaram implantar no Brasil a “desconstrução da heteronormatividade”. Segundo ele, a ameaça da “ideologia de gênero” ainda seria uma realidade no País.

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