Sexta-feira, 14 de Junho de 2024

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Lula, se entregar o governo em 2027 com as instituições republicanas e democráticas em razoável funcionamento e ordem, terá o seu nome inscrito no rol dos grandes presidentes brasileiros. Isso, pelo fato simples de ter evitado a reeleição de Bolsonaro e a consolidação do bolsonarismo como força política no país.

Foram quatro anos de pesadelo. O homem que nos governou – e governar aqui é apenas uma força de expressão –, que obteve agora mais de 58 milhões de votos é um desqualificado, autoritário, mentiroso compulsivo, pouco afeito ao trabalho, encrenqueiro, de maus modos, oportunista, grosseirão com as mulheres, sem empatia ou compaixão. Poderia ir longe na lista dos seus atributos negativos.

Na minha opinião foi o pior presidente e o pior governante que já tivemos.

Alguém perguntará: como então pôde ganhar a eleição de 2018, chegar ao posto de primeiro mandatário do país, não ser reeleito por pouco, com tantas condições indesejáveis e negativas? Uma coisa ele soube fazer: ler e interpretar o sentimento de uma parte expressiva da população brasileira. Soube, aí sim com extrema competência, traduzir (criar) os medos, as inseguranças, as frustrações e os ressentimentos de milhões dos seus compatriotas. Milhões que se sentiam relegados a um segundo plano, tratados com desprezo e desrespeito.

É comum na história dos povos, mesmo mais evoluídos do que o nosso. Há um tempo em que, dadas certas contingências, tudo conflui para uma revolta, uma reação contra o menosprezo e a indiferença. As massas, assim postas à margem, se atrelam ao primeiro aventureiro que parece para pôr abaixo “tudo o que aí está”, com a retórica confusa e difusa, atropelando as convenções do contrato social e as instituições vigentes, trazendo à cena e ao debate concepções antigas e novas, racionais(algumas) e outras a-históricas e superadas.

É o cenário ideal dos autocratas, dos reacionários, dos regressivos, dos demagogos, dos salvacionistas, que em toda a circunstância estarão à espreita, para demonstrar e realçar as imperfeições da democracia – que ao invés de ser o regime do povo, passa a ser o sistema das “elites” para assegurar os seus privilégios. Que elites? Jamais se enuncia e define com clareza quem as constitui, a não ser pelo fato de que são “outros”.

Lula, as forças democráticas que venceram a eleição têm árdua tarefa pela frente: reconstruir o pacto social e federativo, rearticular o estado brasileiros, refazer as instituições republicanas, retomar o conceito da separação dos Poderes.

Isso implica em proclamar a unidade em torno dos objetivos comuns da nacionalidade: a paz interna (e a não divisão), o desenvolvimento econômico, a geração de emprego e renda, a redução das desigualdades, a sustentabilidade e a preservação ambiental, a inserção no mundo democrático e civilizado.

Todos – e não apenas os vencedores de 30 de outubro – haverão de ser chamados a participar do grande plano, da tarefa imediata. O primeiro dever do novo governante é a pacificação nacional, reduzir a insensatez de uma pátria dividida, a herança maldita do governo calamitoso que já vai tarde.

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Comprando os votos
Jorge Uequed (1942-2022)
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