Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026

Home Variedades Teoria do apego: por que ela virou febre nas redes sociais e o que revela sobre seus relacionamentos

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Para Lizzy, os relacionamentos sempre pareciam terminar da mesma forma. “Eu tinha um segundo ou terceiro encontro e encontrava algo de errado com eles.”

Quando as coisas pareciam ficar sérias, a conexão que ela buscava, de repente, parecia desconfortável e até ameaçadora. E ela se afastava.

Lizzy passou anos sem conseguir explicar a razão, até conhecer a teoria do apego. E a descrição do chamado estilo evitativo-assustado (um dos quatro estilos de apego) pareceu surpreendentemente familiar.

A pessoa com estilo evitativo-assustado deseja a proximidade, mas receia que as pessoas da sua vida, em algum momento, irão rejeitá-lo ou abandoná-lo.

“Foi como encontrar a peça que faltava no quebra-cabeça que eu tentava solucionar há anos”, conta Lizzy.

Ela não é a única. A teoria do apego explodiu em sucesso.

No TikTok, vídeos marcados com #AttachmentTheory (“Teoria do apego”, em inglês) acumulam milhões de visualizações.

E, na cultura popular, a teoria do apego é usada para explicar de tudo, como o relacionamento dos personagens Marianne e Connell na série de TV e no livro Pessoas Normais (Ed. Cia. das Letras, 2019), ou a letra da música Rein Me In, de Sam Fender e Olivia Dean, recordista das paradas de sucesso britânicas.

“Na primeira vez que ouvi, comecei a chorar”, conta Lizzy.

Para ela, a canção deu voz aos dois lados do apego evitativo: o medo que pode fazer o amor se tornar insuportável e a confusão sentida pelo parceiro que ficou para trás.

Quais são os quatro estilos de apego?

Desenvolvida nos anos 1950 pelo psiquiatra britânico John Bowlby (1907-1990), a teoria do apego indica que os laços que formamos com os nossos primeiros cuidadores formam nossas expectativas de relacionamento.

Se o apoio estiver permanentemente disponível, você provavelmente considerará que as outras pessoas são confiáveis.

Mas, se o cuidado for imprevisível ou emocionalmente distante, você poderá desenvolver estratégias para se proteger de decepções ou sofrimento.

Existem quatro estilos de apego: ansioso, evitativo, evitativo-assustado e seguro. Basicamente, eles são definidos desta forma:

O apego ansioso é frequentemente associado ao receio de rejeição ou abandono. Pessoas com este estilo de apego podem buscar reafirmação frequente das pessoas próximas e enfrentar problemas de baixa autoestima. Elas podem ficar muito atentas a alterações do comportamento das outras pessoas;

Pessoas com estilo de apego evitativo priorizam sua independência e acham difícil se abrir emocionalmente ou confiar nas pessoas. Subconscientemente, elas podem considerar a intimidade como uma ameaça à sua autonomia e se afastar quando os relacionamentos se tornam emocionalmente próximos demais;

Aqueles com apego evitativo-assustado desejam relacionamentos próximos, mas costumam ter dificuldade para se sentir seguros. Eles podem buscar conexão em um momento e se afastar no segundo seguinte;

Alguém que é seguro fica confortável com a proximidade e a independência nos relacionamentos. Elas geralmente conseguem confiar nos demais, comunicar suas necessidades e buscar apoio quando necessário.

Pesquisas indicam que as pessoas seguras tendem a se dar melhor não apenas em relacionamentos amorosos, mas em toda a vida.

Elas gerenciam o estresse de forma mais eficiente, lidam melhor com os reveses, como rejeição ou perda, e são melhores colegas e chefes no ambiente de trabalho.

O que começou como uma forma de compreender os relacionamentos influencia cada vez mais o comportamento das pessoas.

Nas redes sociais, os estilos de apego são empregados para repensar amizades, compreender as tensões familiares ou eliminar possíveis parceiros.

Coaches de relacionamento prometem revelar os sinais ocultos da indisponibilidade emocional em um parceiro ou como curar o apego ansioso.

Os equívocos da teoria do apego

O professor de psicologia Pascal Vrticka, da Universidade de Essex, no Reino Unido, estudou o apego por cerca de duas décadas.

Ele afirma que a teoria oferece “uma das melhores explicações” para as diferentes formas em que as pessoas buscam apoio e conexão com os demais.

Vrticka fica feliz em ver a teoria do apego chegar a um público maior, mas ele receia que ela possa ser interpretada de forma “desatualizada, mal informada e, no pior dos casos, prejudicial”.

“Acho que um dos problemas é que as pessoas generalizam demais a teoria e a empregam em contextos onde ela talvez não seja a melhor forma de explicar o nosso comportamento”, explica ele.

Para Vrticka, parte da questão está relacionada à evolução dos conceitos iniciais da teoria do apego desde o seu desenvolvimento, nos anos 1950.

Ele afirma que um dos maiores equívocos é acreditar que os estilos de apego são fixos. Estudos demonstraram que eles podem apresentar um grau de estabilidade ao longo do tempo, mas Vrticka afirma que é possível alterá-los.

“A boa notícia é que há evidências que demonstram que o apego seguro é o mais estável. Ou seja, quando você se torna seguro, a sua tendência é permanecer assim.” Com informações do portal G1.

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