Quinta-feira, 19 de Maio de 2022

Home em foco Tosse, dor no corpo, mas não testou positivo para covid? Saiba por quanto tempo cumprir quarentena

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Em um cenário de explosão de novos casos de covid e escassez de testes, a ômicron deixou um rastro de dúvidas no País. Cada vez mais gente apresenta quadros gripais compatíveis com a doença, mas, sem diagnóstico preciso, tem que tomar decisões sobre o isolamento social na escuridão total.

A situação se complicou depois que o Ministério da Saúde alterou as recomendações sobre o período de quarentena de infectados, na semana passada. Segundo as novas regras, o isolamento pode ser abreviado para cinco dias desde que a pessoa esteja sem sintomas e tenha em mãos um teste negativo.

Mas e se o teste estiver indisponível? Para especialistas, o período de sete dias sem sair de casa pode ser considerado um parâmetro seguro. Ele deve ser contado desde o início dos sintomas ou de um diagnóstico positivo, no caso de pessoas assintomáticas.

“Mas nos outros três dias complementares, é importante usar máscara em período integral, evitar qualquer tipo de aglomeração e contato com pessoas de risco”, diz o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professor de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), referindo-se à recomendação mais conservadora de quarentena, adotada anteriormente, de dez dias.

Crise de testes

Um levantamento da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) e da plataforma online Clinicarx mostrou que, entre 3 e 9 de janeiro, o número de testes positivos para covid-19 realizados em estabelecimentos do tipo foi quase duas vezes maior do que o alcançado em novembro. A semana de janeiro também superou os diagnósticos positivos em todo o mês de dezembro.

A alta demanda repentina por testes gerou risco de desabastecimento generalizado. Na última semana, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) recomendou que os laboratórios privados brasileiros cessassem a testagem de pessoas com poucos sintomas ou assintomáticas.

Essa crise fez com que médicos e entidades se voltassem para os parâmetros de mais fácil controle, como presença ou não de sintomas e tempo de isolamento. Como no caso da orientação da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “Recomendamos para os pacientes com covid sintomáticos sete dias de afastamento em isolamento respiratório domiciliar, desde que estejam sem febre nas últimas 24 horas e com melhora dos sintomas. Para os que se mantém sintomáticos no sétimo dia, manter o isolamento por 10 dias”, diz a nota dos médicos associados.

Vale dizer que a saída está liberada a partir do oitavo e não do sétimo dia.

Um estudo recente feito pela Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (UKHSA) mostra que o risco de transmissão da doença após sete dias completos de isolamento é de 15,8%. Após dez dias, a probabilidade cai para 5,1%.

“Precisamos considerar que não há 100% de probabilidade de transmissão nem 0%, por isso sempre haverá algum risco. Mas evidências mostram que o maior pico de contágio ocorre um dia antes do aparecimento dos sintomas até cinco dias após o início”, explica o infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim).

Entretanto, ele acredita que o isolamento para sete dias deveria ser aplicado apenas a indivíduos vacinados e sem doenças imunocomprometedoras.

“Vacinados transmitem menos”, afirma.

Pessoas que tiveram um contato muito próximo com um indivíduo que testou positivo ou que vivem na mesma residência devem fazer quarentena assim que receberem a notícia. Se possível, realizar o teste RT-PCR cinco dias após o contato, mesmo sem sintomas. Se o resultado for positivo, recomeça a contagem. Na impossibilidade de realizar o exame, a recomendação é realizar a quarentena de pelo menos uma semana.”

O efeito da ômicron no aumento de casos e sobrecarga de sistemas de saúde e serviços tem sido devastador em diversos países. O que fez com que muitos deles reduzissem o período mínimo de isolamento. No fim de dezembro, as autoridades de saúde dos EUA reduziram pela metade, de dez para cinco dias, sua recomendação.

Prudência

Para o médico César Eduardo Fernandes, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), a melhor forma de realmente minimizar o risco é esperar dez dias para sair.

“O ideal é garantir que o indivíduo não está mais transmitindo”, defende.

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