Segunda-feira, 31 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 31 de agosto de 2026
Credores de Roberta Luchsinger relatam dificuldades para receber valores que, segundo processos judiciais citados pelo Fantástico, da TV Globo, permanecem pendentes ou foram objeto de disputas na Justiça. Os casos envolvem diferentes tipos de relações, como prestação de serviços, empréstimos, aluguel de imóvel, mensalidades escolares, compras e direitos trabalhistas.
Um dos processos envolve o tapeceiro Nilton Cezar, contratado por Roberta, em 2011, para realizar serviços de reforma em estofados, camas e revestimentos de uma residência. O trabalho foi orçado em R$ 61 mil. Segundo o profissional, Roberta pagou R$ 25 mil inicialmente, mas o restante não foi quitado.
Nilton recorreu à Justiça e obteve decisões favoráveis, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Durante a fase de execução judicial, foram firmados acordos para tentar viabilizar o pagamento da dívida, mas, de acordo com o tapeceiro, os compromissos não foram cumpridos.
O profissional afirma que a demora para receber os valores teve impacto no funcionamento de seu negócio e nas despesas da empresa.
“A gente tem funcionário para pagar, aluguel de ponto, chegamos a vender um carro, a gente fica desesperado, entendeu?”
Gravuras
Durante o processo, a Justiça determinou a penhora de bens de Roberta. Entre os itens oferecidos pela empresária estava uma coleção de 14 gravuras atribuídas ao artista Cândido Portinari. Roberta afirmou que as obras eram originais e avaliou o conjunto em R$ 70 mil.
O Projeto Portinari informou que as peças eram reproduções de obras do artista. O episódio também foi mencionado por Nilton ao relatar sua percepção sobre publicações feitas por Roberta nas redes sociais.
“A gente fica triste, né? Ver uma pessoa devendo e só viajando, postando viagem. É triste”, diz.
Fazenda
Outro caso envolve Lauro Escobosa Vallejo. Ele afirmou que aceitou ser avalista de um empréstimo de US$ 300 mil relacionado a um projeto de documentário sobre o designer de carros de luxo Horacio Pagani.
Roberta e uma sócia apresentaram o projeto em 2016. O orçamento estimado era de aproximadamente US$ 4 milhões, que seriam financiados por um suposto fundo do Bahrein.
Como os recursos ainda não haviam sido liberados, foi contratado um empréstimo para iniciar as gravações. Lauro aceitou atuar como avalista e ofereceu uma fazenda de sua propriedade, em Minas Gerais, como garantia da operação.
O investimento estrangeiro não se concretizou e o empréstimo não foi pago. Segundo a reportagem, a Justiça determinou a perda da fazenda, avaliada em R$ 8 milhões.
Lauro afirmou que aceitou participar da operação porque esperava receber uma parcela da bilheteria do documentário e uma comissão.
“Eu acabei aceitando. Me prometeram uma participação na bilheteria do filme e me pagaram uma comissão de acho que na época eram R$ 40.000, uma coisa assim.”
Sobre a perda da propriedade, ele afirmou que o prejuízo envolveu também aspectos pessoais.
“Tudo que eu tinha tava lá. Inclusive não é a questão da propriedade em si, é o sonho. Não é fácil, cara. Não é fácil. Não é fácil.”
Outros processos
Também há processos envolvendo outros credores. Entre eles está uma instituição de ensino que cobrava uma dívida de R$ 91 mil referente a mensalidades da filha de Roberta, em 2017.
Uma loja de roupas também buscou na Justiça o pagamento de uma compra de R$ 6.124 realizada no mesmo ano. Conforme a reportagem, em 2023, o valor da dívida já havia ultrapassado R$ 21 mil. Roberta chegou a oferecer um quadro, avaliado por ela em R$ 100 mil, como garantia, mas a obra desapareceu antes de ser levada a leilão.
Outro processo envolve uma agência de publicidade contratada para uma pré-campanha eleitoral em 2022. Segundo a reportagem, foram pagos R$ 4.200 de um contrato de R$ 42 mil.
Também são citados processos movidos por duas trabalhadoras domésticas. As funcionárias foram demitidas sem receber os direitos trabalhistas, e os processos somavam cerca de R$ 50 mil. Segundo a reportagem, as ações prescreveram sem que os valores fossem pagos.
Aluguel
Outro caso envolve um apartamento de alto padrão onde Roberta morou entre 2019 e 2023. Os proprietários, um casal de idosos que utilizava o aluguel como complemento da aposentadoria, recorreram à Justiça em 2020 devido à falta de pagamento de aluguel, condomínio e IPTU.
Roberta permaneceu no imóvel até 2023, após sucessivos acordos para o pagamento dos valores. De acordo com a reportagem, a dívida chegou a R$ 500 mil e foi quitada em maio de 2024.
Um dos proprietários morreu durante o processo sem ter recebido os valores.
Procurada pelo Fantástico, Roberta não quis gravar entrevista. A empresária enviou uma lista com os números dos processos mencionados na reportagem e informou quais deles já haviam sido arquivados pela Justiça.
Sobre o caso envolvendo a fazenda, Roberta afirmou que também havia sido enganada pelo investidor responsável pelo projeto do filme e que Lauro conhecia os riscos da operação.