Quinta-feira, 03 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 2 de setembro de 2026
A denúncia de um caso de racismo envolvendo integrante da comunidade acadêmica da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), na Região Sul do Estado, motivou o acionamento de protocolo previsto em sua política interna de prevenção e combate à violência. A instituição não detalhou o incidente, mas informações extraoficiais indicam tratar-se de injúria racial supostamente cometida por funcionário em e-mail a uma colega.
Em troca de mensagens relativas à compra de materiais de laboratório, no dia 31 de agosto, ele teria escrito “olha esse e-mail, é tudo com a turma da senzala”. A servidora que recebeu o e-mail registrou na Polícia Civil um boletim online de ocorrência sobre o episódio – um delegado deve ser designado para o caso.
O conteúdo vazou entre a comunidade universitária e chegou a ativistas do movimento negro UFPreta, que atua em âmbito acadêmico. A entidade exige providências por parte da Universidade, como a abertura de sindicância, medida que já está em curso.
Posicionamento
Confira, a seguir, um trecho de manifestação publicada pela Reitoria da Universidade no portal ufpel.edu.br e nas redes sociais da instituição:
“(…) Para viabilizar o acolhimento, a apuração e o encaminhamento do caso, a Universidade acionou as instâncias responsáveis, incluindo a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), e deu início aos procedimentos institucionais previstos pela ‘Política Bem Viver’ para situações de racismo e outras formas de violência.
A UFPel não tolera práticas racistas em seus espaços e reafirma seu compromisso com o enfrentamento às violências e com a construção de um ambiente universitário seguro, democrático e livre de violências.
Em razão do caráter sigiloso dos procedimentos administrativos em andamento, a Universidade não pode divulgar informações sobre as medidas ou encaminhamentos específicos adotados no caso.
A UFPel seguirá acompanhando o caso e adotando as providências cabíveis, de acordo com a legislação e com os procedimentos institucionais estabelecidos pela Política Bem Viver”.
Contexto histórico
Expressões como “turma da senzala” carregam forte cunho racista por reproduzirem a lógica da escravidão no Brasil (1530-1888), evocando um ambiente degradante onde pernoitavam pessoas negras submetidas a um regime brutal de privação da liberdade, trabalho forçado, violência física e condições desumanas de sobrevivência.
Além disso, o termo reforça um discurso discriminatório que tem por base a inadmissível hierarquização social conforme a cor da pele e outros estereótipos. Esse pensamento – que ainda encontra adeptos – considera pessoas negras como classe inferior.
Essa prática – inclusive em caráter informal – é passível de enquadramento nos crimes de racismo e injúria racial, condutas graves que são tratadas pela legislação vigente como inafiançáveis e imprescritíveis. Afinal, a violência verbal fere direitos fundamentais e exige punição rigorosa.
(Marcello Campos)
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