Terça-feira, 17 de Maio de 2022

Home em foco Veja os medicamentos contra a covid já disponíveis e como funcionam

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As vacinas contra covid-19 são cruciais no combate à pandemia, mas a necessidade de medicamentos que possam tratar a doença persiste.

A imunidade obtida por vacinas é muito importante, mas existe um problema sério de desigualdade de acesso aos imunizantes pelo mundo. Além disso, o surgimento de novas variantes reforça a necessidade de medicamentos, principalmente para tratar casos graves de covid-19.

Medicamentos disponíveis:

Drogas anti-inflamatórias

Quando você pega covid, seu corpo libera uma enxurrada de químicos para alertar que ele está sob ataque. O alerta químico é chamado de inflamação e é vital para mobilizar o sistema imune para combater a covid.

Mas se você não se livrar do vírus rapidamente, a inflamação pode sair do controle e eventualmente danificar órgãos vitais, como os pulmões. E essa inflamação excessiva pode matar. É no controle da inflamação que agem os chamados corticosteroides, recomendados pela OMS para uso em pacientes com quadro grave ou crítico de covid-19.

Um esteroide anti-inflamatório que já existia antes da pandemia, a dexametasona, foi a primeira droga aprovada para ajudar a salvar a vida de pessoas com a doença. Ela é administrada a pacientes em estado grave, com problemas respiratórios. Testes revelam que esse remédio reduz em um quinto o risco de morte para pacientes com suporte de oxigênio e em um terço para pacientes que necessitam de ventilação mecânica.

Outras drogas anti-inflamatórias também demonstraram eficácia em reduzir mortes, incluindo a hidrocortisona. Há ainda drogas com efeito anti-inflamatório mais avançadas e direcionadas como a tocilizumabe e a sarilumabe. A tocilizumabe tem sido amplamente utilizada em hospitais na China, Índia e Austrália.

Em nota técnica de abril de 2021, o Ministério da Saúde diz que estudos sugerem “benefício do uso de tocilizumabe no tempo de uso de suporte respiratório em UTI e sobrevida, num contexto de intervenção rápida para pacientes graves”.

Mas as drogas tocilizumabe e sarilumabe chegam a ser até 100 vezes mais caras que a dexametasona. Isso restringiu seu uso pelo mundo, embora sejam bem mais baratas que um leito de terapia intensiva.

Mais recentemente, a Organização Mundial da Saúde recomendou o uso do medicamento baricitinibe para o tratamento da covid.

O baricitinibe é um anti-inflamatório usado principalmente no tratamento da artrite reumatoide. Na pesquisa publicada pelo grupo de trabalho da OMS, o uso do baricitinibe é recomendado em pacientes graves, pois aumenta a probabilidade de sobrevivência às complicações que o coronavírus pode causar, além de reduzir a necessidade de ventilação mecânica.

Drogas antivirais

Um antiviral ataca a habilidade do coronavírus de fazer cópias de si mesmo dentro do corpo humano. Esse tipo de droga serve para manter o vírus em baixas quantidades, para que haja menos dele para o sistema imune lidar.

Aprovado em janeiro de 2022 para uso no Reino Unido, o paxlovid é uma pílula tomada duas vezes por dia por cinco dias. De acordo com seu fabricante, a Pfizer, ela reduz o risco de hospitalização e morte em 89% em adultos vulneráveis.

No dia 19 de janeiro, técnicos da Anvisa se reuniram com representantes da Pfizer para discutir a pré-submissão do pedido de uso emergencial do medicamento Paxlovid para o tratamento da covid no Brasil. Essa é uma etapa prévia ao envio do pedido formal para uso do produto no País.

Outro antiviral que já teve eficácia testada é o molnupiravir. A fabricante, a farmacêutica americana Merck, estima que esse medicamento reduz o risco de hospitalização e morte pela metade. O uso emergencial do molnupiravir está em análise pela Anvisa, que recebeu em novembro pedido formal da Merck para o produto ser comercializado no Brasil.

Tanto o Paxlovid quando o molnupiravir funcionam melhor quando tomados logo após aparecimento dos sintomas de covid. A Pfizer prevê fabricar 80 milhões de ciclos de Paxlovid até o final de 2022 e informou que permitirá que fabricantes de genéricos em 95 países de baixa renda produzam e distribuam a droga a preço de custo.

Já a Merck está permitindo que as empresas indianas de medicamentos genéricos produzam molnupiravir mais barato para 100 países de baixa e média renda.

Outro antiviral, o remdesivir, é administrado por infusão intravenosa e reduziria o tempo de recuperação da covid. Esse remédio foi aprovado em março de 2021 para utilização no Brasil, para pacientes de covid com idade igual ou superior a 12 anos, peso corporal de pelo menos 40 kg, com pneumonia e necessidade de suplementação de oxigênio de baixo ou alto fluxo ou outra ventilação não invasiva.

Terapia de anticorpos

A terceira maneira de combater a covid com medicamentos é dar às pessoas uma infusão de anticorpos que possam atacar o vírus. Esses anticorpos se colam à superfície do coronavírus e o marcam para destruição pelo sistema imunológico do corpo.

O organismo produz seus próprios anticorpos quando é atacado pelo coronavírus. Os mais eficazes deles foram estudados em laboratório, cultivados e administrados aos pacientes. Isso é conhecido como terapia de anticorpos monoclonais.

Essas terapias normalmente são administradas em pacientes muito vulneráveis, com dificuldade para produzir anticorpos próprios. Mais uma vez, quanto antes essas drogas forem administradas, maiores as chances de sucesso.

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