Domingo, 08 de Novembro de 2026

Home Política Vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ganha força após papel na reeleição de Lula e passa a ser cogitado para ministérios que vão da Fazenda à Segurança

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Após desempenhar papel relevante na campanha que garantiu a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) se cacifou para ampliar o espaço no quarto mandato e passou a ser visto no governo como um “coringa” na montagem da Esplanada. Os ministérios da Fazenda, Segurança Pública, Defesa e Indústria e Comércio são as possibilidades em análise, em uma equação que leva em conta também a sucessão em 2030.

Aliados do vice defendem um papel maior a ele, mas temem o desgaste de uma pasta que possa colocá-lo no alvo de críticas. Governador de São Paulo por quatro vezes, Alckmin é considerado nos bastidores um nome versátil e já testado em momentos como a reação ao tarifaço americano e a Reforma Tributária.

Na última semana, Lula convocou o vice para a reunião com economistas no Palácio da Alvorada, a primeira ampliada sobre os rumos da política econômica no novo mandato. Com isso, Alckmin voltou a subir na bolsa de apostas para a Fazenda. Também estão entre os nomes cotados ao posto o atual ministro, Dario Durigan, o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o ex-titular da pasta Fernando Haddad.

A escolha do cargo é vista como um dos fatores que podem colocá-lo no rol de potenciais candidatos à sucessão do petista, em 2030. Aliados do vice-presidente avaliam que, tanto na Fazenda quanto na Segurança, haveria pontos positivos, como a exposição, e negativos, a exemplo da possibilidade de acumular reveses.

Como chefe da equipe econômica, Alckmin adotaria uma linha austera e enfrentaria uma rotina de conflitos, apostam aliados. Eles citam a passagem pelo Palácio dos Bandeirantes, quando defendia cortar despesas, diárias e cargos, e observam que até hoje o vice não fez todas as nomeações de confiança a que tem direito. Avaliam ainda que ele poderia entrar em atrito com o Congresso por causa do grande volume de emendas parlamentares. Integrantes do governo ponderam, entretanto, que o principal fator que pesa contra ele é o de, por ter sido eleito ao lado de Lula, ser “indemissível”, permanecendo na gestão mesmo em caso de eventuais maus resultados.

Por outro lado, a favor dele pesa a relação com o empresariado. Nos últimos dias, Alckmin recebeu representantes do mercado financeiro, do agronegócio e de outros setores empresariais e se reuniu com o economista Felipe Salto. Pessoas próximas ao vice, porém, negam que ele esteja se movimentando para chegar à Fazenda e afirmam que o diálogo com esses setores sempre existiu, em razão do cargo e da passagem pelo ministério.

Na Segurança, o desafio seria outro: Lula quer um discurso mais duro, e Alckmin correria o risco de ser criticado pelo PT se o adotasse. Com a aprovação da PEC da Segurança na semana passada, o presidente começou a discutir a criação do ministério. Lula pretende fazer da área uma das vitrines do próximo mandato e busca um nome com retórica enfática contra a criminalidade.

A trajetória de Alckmin no comando de São Paulo surgiu como argumento a favor da escolha. Nos últimos dias, voltou a circular no Planalto uma declaração dada por ele quando era governador.

Após uma operação da PM paulista que deixou nove mortos em setembro de 2012, o então governador afirmou que permaneceu vivo “quem não reagiu”. Na época, sua política de segurança era criticada pela esquerda, inclusive pelo PT. Lula e aliados, no entanto, iniciaram um movimento para tentar se descolar de um discurso mais brando, historicamente associado à esquerda, e vêm endurecendo posicionamentos, como a defesa da redução da maioridade penal para 16 anos.

Opções na mesa

Diferentemente de outros nomes em busca de espaço, Alckmin aguarda os movimentos do presidente e não dá sinais de pleitear cargos. Seu grupo afirma que ele repete a tática usada quando se discutia se continuaria na vice ou disputaria o Senado por São Paulo.

O vice ainda não conversou com Lula sobre seu lugar no novo governo e vai esperar ser chamado. Segundo aliados, Alckmin não vai “contratar problema” se oferecendo para nenhum posto. Interlocutores também consideram a hipótese de ele ficar apenas na Vice-Presidência, sem acumular ministério, para que sobrem mais pastas para Lula negociar com partidos do Centrão.

Ainda assim, Alckmin não deve recusar nenhuma missão que receber do petista. Um grupo de auxiliares de Lula, por sua vez, defende poupar o vice de cargos que o exponham a embates constantes e argumentam que ele não deveria assumir ministério algum.

Outra hipótese é a volta ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que Alckmin comandou de 2023 até abril de 2026, quando deixou a pasta para disputar a eleição. Na pasta, esteve à frente das negociações do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A Defesa também aparece nas conversas.

A atuação na reta final da campanha reforçou o papel de Alckmin na estratégia política do presidente. Depois de um primeiro turno mais discreto, o vice ganhou protagonismo na tentativa de atrair o eleitorado de centro e de direita, além de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) que ainda hesitavam. Com informações do jornal O Globo.

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