Sábado, 21 de Maio de 2022

Home Mundo Vladimir Putin autoriza o envio de militares russos para “manter a paz” nas regiões separatistas da Ucrânia

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, autorizou o envio de militares russos para “manter a paz” nas regiões separatistas da Ucrânia em um decreto assinado nesta segunda-feira (21). O documento, divulgado pela agência estatal RIA, foi assinado no mesmo momento em que Putin oficializava o reconhecimento da independência de Donetsk e Luhansk.

O mesmo decreto foi assinado também para Luhansk.

Com a decisão de Putin, o processo de paz no leste da Ucrânia, onde um conflito entre forças do governo e separatistas apoiados por Moscou já matou pelo menos 15 mil pessoas, poderá ser minado.

Disputa

Rússia e Ucrânia têm relações ruins desde a chegada ao poder em Kiev, em 2014, dos setores pró-Ocidente, após a revolta da praça Maidan, que foi seguida pela anexação da península ucraniana da Crimeia pelos russos e o conflito com os separatistas no leste, na região conhecida como Donbass, onde ficam Donetsk e Luhansk.

A Ucrânia e os ocidentais acusam Moscou de apoiar militarmente os separatistas, algo que a Rússia nega. Moscou chegou a emitir passaportes para centenas de milhares de residentes de Donbass.

Os acordos de paz de Minsk, assinados em fevereiro de 2015, tornaram possível reduzir significativamente os confrontos, mas eles continuam desde então, ainda que em ritmo reduzido. Os acordos preveem a reunificação de ambas as regiões com a Ucrânia, mas com Kiev concedendo ampla autonomia às duas regiões.

Kiev não está observando os acordos de Minsk. Nossos cidadãos e compatriotas que vivem em Donbass precisam de nossa ajuda e apoio”, escreveu Vyacheslav Volodin, presidente da Câmara dos Deputados da Rússia, nas redes sociais, para justificar o pedido de reconhecimento.

Reconhecer Donetsk e Luhansk é um passo significativo que efetivamente encerraria o processo de paz de Minsk, que está no centro das discussões sobre os temores de uma invasão russa do território ucraniano.

Independência de separatistas

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou nesta segunda-feira (21) pela TV que reconhece duas regiões separatistas da Ucrânia , Luhansk e Donetsk, como independentes, em mais um passo que ajuda a incendiar a crise naquela parte do leste europeu.

Em uma dura mensagem recheada de argumentos históricos, ele alegou que as terras ancestrais do leste ucraniano são russas. Disse ainda que a Ucrânia moderna é uma invenção da União Soviética. “A Ucrânia é parte integrante da nossa história”, afirmou.

O líder russo afirmou que a Ucrânia não foi capaz de formar um estado sólido desde o fim da URSS e, por isso, depende de países estrangeiros como os EUA. Segundo ele, o governo ucraniano é um regime fantoche dos americanos e está buscando criar armas nucleares.
Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), pararia de se expandir, mas isso não ocorreu. E que, fazendo parte da Otan, a Ucrânia servirá de base de ataques contra a Rússia. O vizinho vem sendo inundado de armas estrangeiras, alegou.

Mais cedo, Putin se reuniu com seu conselho de segurança e disse que a ameaça à Rússia aumentará substancialmente caso a Ucrânia se junte à Otan.

Na semana passada, o Parlamento russo aprovou um pedido para que o presidente reconhecesse as autodeclaradas repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk, no leste ucraniano.

Especialistas afirmam que o movimento pode inflamar ainda mais o impasse sobre uma escalada militar russa perto da Ucrânia que tem alimentado temores do Ocidente de que Moscou possa invadir. A Rússia nega qualquer plano de invasão e acusa o Ocidente de histeria.

Reações
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse logo após o anúncio de Putin que conversou com o presidente dos EUA, Joe Biden. Zelenskiy twittou que também planejava falar com o primeiro-ministro britânico Boris Johnson e que estava iniciando uma reunião de seu conselho de segurança e defesa nacional.

O ministro das Relações Exteriores da Letônia (uma ex-república soviética), Edgars Rinkevics, repudiou a movimentação russa e pediu que a União Europeia imponha “sanções imediatas” ao país.

Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, reagiu à declaração de Putin e afirmou que diz que o reconhecimento russo de Luhansk e Donetsk viola a lei internacional, a soberania e a integridade da Ucrânia.

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