Segunda-feira, 07 de Setembro de 2026

Home Tecnologia Workslop: os trabalhos malfeitos por inteligência artificial que geram retrabalho, roubam tempo e custam milhões às empresas

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A pressa das empresas em incorporar ferramentas de inteligência artificial ao dia a dia dos trabalhadores criou um novo problema: o relatório chega com tópicos organizados, linguagem técnica e aparência profissional, mas basta uma leitura mais atenta para perceber que ali não há nada de útil.

As conclusões são genéricas, faltam informações importantes sobre o negócio e uma nova rodada de análises, correções e ajustes se faz necessária. Em vez de aumentar a produtividade, a IA gera retrabalho e atrasa o desenvolvimento dos profissionais — em especial, os mais novos.

O fenômeno já tem nome: workslop. O termo vem da junção das palavras “work” (trabalho) e “slop” (malfeito), e pode ser traduzido livremente como “trabalho desleixado”. Ele passou a ser usado para descrever tarefas geradas por IA que – na ânsia de economizar esforço ou acelerar processos – são superficiais e oferecem pouco valor prático para quem precisa utilizá-las.

Um levantamento da BetterUp Labs, em parceria com a Stanford Social Media Lab, mostrou que 40% dos trabalhadores afirmam ter recebido algum conteúdo que se enquadra no conceito de workslop. Esse grupo estima que 15,4% de todo o material recebido se encaixe nessa categoria.

Custo

Quando esse tipo de conteúdo entra no fluxo de trabalho, cria-se um efeito em cadeia. Alguém precisa conferir informações, corrigir erros ou simplesmente refazer parte da tarefa.

Esse custo já foi medido. Os trabalhadores gastam, em média, 1 hora e 56 minutos lidando com cada ocorrência de workslop, segundo a BetterUp Labs. Isso representa uma perda estimada em US$ 186 por mês para cada funcionário afetado. Em uma organização com 10 mil trabalhadores, o prejuízo anual pode ultrapassar US$ 9 milhões em produtividade desperdiçada.

Para Miguel Nicolelis, considerado um dos principais neurocientistas do mundo, há uma crença generalizada de que ferramentas de IA seriam capazes de substituir etapas importantes do pensamento humano — do trabalho ao estudo.

O resultado, afirma, é uma espécie de “atalho intelectual”: tarefas que antes exigiam construção de conhecimento passam a ser delegadas a sistemas que produzem respostas nem sempre confiáveis.

Na vida profissional, receber esse tipo de conteúdo também provoca irritação, confusão e desgaste entre os colegas. Aos poucos, o problema compromete relações de confiança e colaboração, fundamentais para o funcionamento das organizações.

Como usar

Surge, então, a questão: como aproveitar os ganhos de produtividade sem abrir mão da qualidade, do senso crítico e da responsabilidade sobre aquilo que é produzido?

Mas evitar o assunto também não é a solução. A discussão envolve como a IA está transformando a rotina de trabalho, a qualidade do que é produzido, a pressão sobre os profissionais e os riscos de uma dependência crescente dessas ferramentas.

Especialistas afirmam que as ferramentas de IA funcionam melhor quando são tratadas como ponto de partida. Quanto mais contexto a ferramenta recebe, maior a chance de produzir um resultado útil.

“Quando você já tem clareza do problema, consegue economizar tempo porque ela tende a trazer um resultado melhor. Mas, se a pergunta não está bem direcionada, isso pode gerar retrabalho”, explica Diogo Ferreira, profissional da área de tecnologia.

Sem informações sobre contexto, objetivos ou público-alvo, a ferramenta tende a produzir respostas amplas, superficiais e genéricas. Mas elaborar um bom prompt é apenas parte do processo. Outro erro frequente é considerar que a primeira resposta da IA já está pronta para uso.

“A IA realmente não é algo para o qual você pode simplesmente dar um prompt inicial e esperar um resultado 100% pronto”, afirma.

Entre os principais riscos estão as chamadas “alucinações”, situações em que a ferramenta inventa informações, apresenta dados incorretos ou chega a conclusões sem respaldo nos fatos.

Outro ponto de atenção é a segurança da informação. À medida que essas ferramentas ganham espaço nas empresas, cresce também o risco de compartilhamento indevido de dados estratégicos, financeiros ou pessoais.

Diogo afirma que essa é uma das principais preocupações em sua rotina. “O maior cuidado que a gente tem que ter quando fala de IA é a questão de inserir dados sensíveis, tanto pessoais quanto corporativos”, afirma. (As informações são do g1)

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