Quarta-feira, 17 de Julho de 2024

Home Mundo Zelensky convida Trump para ir à Ucrânia e diz que ele não encerraria a guerra “por causa de Putin”

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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, convidou o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump para visitar a Ucrânia, depois que Trump afirmou que poderia encerrar a guerra da Rússia contra a Ucrânia dentro de 24 horas se fosse reeleito no próximo ano.

Zelensky questionou a afirmação de Trump numa entrevista ao programa “Meet the Press” da NBC, que foi ao ar domingo (5), e o convidou a visitar a Ucrânia para ver pessoalmente os efeitos da invasão russa.

“Se ele puder vir aqui, precisarei de 24 minutos, sim, 24 minutos… para explicar ao presidente Trump que ele não consegue resolver esta guerra. Ele não pode trazer a paz por causa de Putin”, disse Zelensky.

Zelensky também elogiou o presidente Joe Biden por visitar a Ucrânia no início deste ano, dizendo “Acho que ele entendeu alguns detalhes que você só pode entender estando aqui. Então convido o presidente Trump.”

Trump afirmou em maio que a guerra não teria acontecido se ele fosse presidente quando a invasão da Rússia começou, e que poderia resolver o conflito em um dia se fosse reeleito.

“Se eu for presidente, resolveria essa guerra em um dia, 24 horas”, disse Trump à CNN meses atrás. “Vou me encontrar com Putin. Vou me encontrar com Zelensky. Ambos têm pontos fracos e ambos têm pontos fortes. E dentro de 24 horas essa guerra estará resolvida.”

Os comentários de Zelensky foram feitos depois que o principal comandante da Ucrânia ter alertado na semana passada que a guerra tinha entrado num “impasse”, enquanto o presidente ucraniano luta para manter o apoio arduamente conquistado em um mundo distraído pela guerra no Oriente Médio e com os parlamentares dos EUA divididos sobre a possibilidade de continuar financiando a guerra da Ucrânia.

O chefe militar da Ucrânia, general Valery Zaluzhny, escreveu num longo ensaio para The Economist que “tal como na Primeira Guerra Mundial, atingimos o nível de tecnologia que nos colocou num impasse”.

Embora a Ucrânia tenha resistido à invasão russa durante mais de 20 meses, Zaluzhny escreveu que sem um enorme salto tecnológico para quebrar o impasse, “muito provavelmente não haverá um avanço profundo e bonito”.

Desde o início da contra-ofensiva, a Ucrânia conseguiu retomar apenas uma faixa de terra, quase mil quilômetros recuperados de defesas russas fortemente armadas.

A Rússia ainda ocupa quase um quinto da Ucrânia e, nas últimas semanas, lançou novas ofensivas no leste, em torno de Avdviika e Vuhledar, em Donetsk, e perto de Kupyansk, em Kharkiv.

Zaluzhny disse que o conflito entrou “no que nós, nas forças armadas, chamamos de guerra ‘posicional’ de combates estáticos e de atrito, em contraste com a guerra de ‘manobra’ de movimento e velocidade”. Ele alertou que isto beneficiará a Rússia, dando tempo para reconstruir o seu poder militar para novos ataques à Ucrânia.

Questionado  se concordava com o seu principal general, Zelensky disse que “a situação é difícil”, mas não acredita que a guerra tenha chegado a um “impasse”.

“Temos a iniciativa em nossas mãos. Você pode imaginar como é uma guerra em grande escala ou como são dois anos de uma guerra em grande escala. Todo mundo fica cansado. Até o ferro cansa. No entanto, tenho orgulho dos nossos guerreiros e do nosso povo, por serem fortes… O nosso povo tem um forte desejo de vencer”, disse ele.

Zelensky também destacou os sucessos da Ucrânia no Mar Negro e na Crimeia, a península anexada que é uma artéria vital para o reabastecimento das tropas russas na Ucrânia continental.

“A frota russa está sendo destruída pelas nossas munições”, disse Zelensky à NBC, após uma série de ataques ucranianos bem-sucedidos a navios de guerra russos e portos da Crimeia durante o verão.

“Não podemos confiar em terroristas”

Mas convencer os seus aliados da possibilidade de vitória está se tornando cada vez mais difícil para Zelensky, à medida que a atenção do mundo se volta para a guerra no Oriente Médio e entre avisos do Congresso dos EUA de que o financiamento para a Ucrânia poderá se esgotar em breve.

A Casa Branca deixou claro que a quantidade de dinheiro que os EUA têm disponível para a ajuda militar à Ucrânia está se esgotando rapidamente, à medida que o novo presidente da Câmara, Mike Johnson, e o Senado continuam em desacordo sobre o pedido do governo federal para aprovar mais de US$ 1 bilhão em fundos para a segurança nacional.

O presidente Biden pediu ao Congresso para aprovar o projeto de lei suplementar, que inclui US$ 61,4 bilhões para a Ucrânia e US$ 14,3 bilhões para Israel, como um “acordo abrangente e bipartidário”.

Zelensky argumenta que a luta da Ucrânia contra a Rússia é do interesse da segurança nacional dos EUA. Ele disse à NBC que os soldados americanos poderiam eventualmente ser arrastados para um conflito europeu mais amplo com a Rússia se o apoio de Washington diminuísse.

“Se a Rússia matar todos nós, eles atacarão os países da Otan e vocês enviarão os seus filhos e filhas. E será – sinto muito, mas o preço será mais alto”, disse Zelensky.

“Você tem que entender, basta vir para a Ucrânia e ver. Somos as mesmas pessoas. Temos os mesmos valores”, disse ele quando questionado sobre por que os legisladores dos EUA deveriam aprovar mais ajuda militar à Ucrânia.

A relutância do Congresso em aprovar despesas adicionais para a Ucrânia surge no momento em que vários candidatos presidenciais republicanos argumentam que a Ucrânia deveria aceitar negociações de paz com a Rússia para pôr fim à guerra.

Zelensky, que há muito se opõe à ideia de negociações de paz, disse à NBC: “Não estou pronto para falar com os terroristas porque a palavra deles não é nada. Nada. Não podemos confiar em terroristas porque os terroristas sempre voltam, sempre voltam.”

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