Quinta-feira, 13 de Junho de 2024

Home em foco Zelensky fala em 3ª Guerra Mundial “se negociação com a Rússia falhar”

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O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse que está pronto para negociar com o presidente russo, Vladimir Putin, mas advertiu que se qualquer tentativa de negociação falhar, isso pode significar que a luta entre os dois países levaria a “uma terceira Guerra Mundial”.

“Estou pronto para negociar com ele. Eu estava pronto nos últimos dois anos. E penso que sem negociações, não podemos terminar esta guerra”, disse Zelensky.

“Se há apenas 1% de chance de acabarmos com esta guerra, penso que precisamos aproveitá-la. Temos que fazer isso. Posso falar sobre o resultado desta negociação — em qualquer caso, estamos perdendo pessoas diariamente, pessoas inocentes no chão”, disse ele.

“As forças russas vieram para nos exterminar, para nos matar. E podemos demonstrar pela dignidade de nosso povo e de nosso exército que conseguimos lidar com um golpe poderoso, somos capazes de contra-atacar. Mas, infelizmente, nossa dignidade não vai preservar as vidas. Portanto, acho que temos que usar qualquer formato, qualquer chance para termos a possibilidade de negociar, possibilidade de falar com Putin. Mas se estas tentativas falharem, isso significaria que esta é uma terceira Guerra Mundial”, complementou.

Negociações

Zelesnky foi questionado sobre quais eram as demandas russas nas rodadas de negociações entre os dois países. Entre elas, segundo o presidente ucraniano, está o reconhecimento da Crimeia como parte da Rússia e das duas províncias de Donbas como independentes, além da garantia de que a Ucrânia nunca será um membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O presidente ucraniano afirmou que, se a Ucrânia integrasse a Otan, a guerra não teria “sequer começado”. Ele criticou ainda a falta de “clareza” dos membros da aliança sobre a admissão do país ao grupo, e disse que suas forças armadas já estavam se preparando para um iminente ataque.

“Deveriam ter dito com clareza que não poderíamos entrar na Otan. Pedi que fosse dito com clareza, e em que ano isso aconteceria. E a resposta era que [a Ucrânia] não seria aceita agora, mas que as portas ficariam abertas. Perguntei sobre sanções preventivas — estávamos fortalecendo nosso exército, porque com vizinhos como os que temos é a única opção. Não alertamos o inimigo que estaríamos prontos para resistir a uma invasão, e continuamos a combater essa agressão”, declarou.

Acusações de neonazismo

Zelensky foi questionado sobre seu passado familiar, já que seu avô lutou na Segunda Guerra Mundial e foi posteriormente condecorado com medalhas de honra pela atuação contra as tropas nazistas da Alemanha.

“Quando os russos falam de neonazismo, posso responder que perdi minha família inteira na Segunda Guerra, todos foram exterminados. Para quem fala de nazismo, gostaria de perguntar a essas pessoas em quais linhas de frente os antepassados dessas pessoas lutaram, que países esses soldados liberaram”, declarou.

Apesar de classificar as acusações de neonazismo como “risíveis”, o presidente ucraniano disse temer o que Vladimir Putin pode fazer caso acredite de fato em tais alegações.

“Não tenho medo de nada, exceto pelas pessoas, mas o fato é que, se ele está falando sério sobre esta afirmação, pode ser capaz de dar passos horrendos, porque isso significaria que não é um jogo para ele. Se ele realmente acredita nisto, se não for um jogo, então nós continuaremos lutando contra isto. Mas se não é um jogo, se ele fala sério, se ele pensa que esta é sua missão para conquistar nosso território e se ele vê sinais de neonazistas em nosso país, então muitas perguntas surgem sobre o que mais ele é capaz de fazer em nome de suas ambições, em nome de sua missão”, disse Zelensky.

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