Terça-feira, 25 de Junho de 2024

Home em foco A dupla brasileira que comprou um time na Inglaterra

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Quando brincava no Championship Manager, um jogo de videogame em que se comanda um clube de futebol, o jovem Guilherme Decca talvez não imaginasse que, um dia, isso se tornaria realidade. Mas a vida adulta levou-o para o mercado financeiro e a se tornar dono de time de futebol. E na Inglaterra!

Decca é o CEO e um dos fundadores da VO2 Capital, empresa de soluções de gestão de patrimônio com ênfase em investimentos imobiliários e alternativos no Brasil e Estados Unidos. Dessa forma, virou um dos proprietários do Wakefield AFC, time da 11.ª divisão inglesa.

O sonho de garoto de Decca de comandar um clube começou a se materializar no ano passado. A VO2 Capital, que conta com clientes que trabalham ou têm contatos nos bastidores do futebol, recebeu a oportunidade de investir em clubes europeus.

Para “entrar nesse jogo”, ele precisou convencer seu parceiro André Ikeda e a empresa, que estavam receosos com o investimento no futebol. Analisaram as principais ligas europeias e decidiram investir no futebol inglês, apesar dos problemas que identificaram em muitos clubes.

“A Inglaterra me parecia mais organizada que a Itália, que tem uma cultura mais amadora. Procuramos na 3.ª a 6.ª divisões inglesas, mas vimos clubes muito mal administrados por anos e jogadores com salários bem altos. Para ‘voltar para o zero’, seriam anos de trabalho pela frente. Entendemos então que era melhor descer de divisão, sem esse legado de problemas e reconhecer que precisamos ter ainda um aprendizado. Por isso, demos um passo atrás”, diz Decca, que mora há mais de 10 anos nos Estados Unidos e chegou a residir na Inglaterra, onde assistiu a jogos de diferentes divisões.

Depois de muita procura, encontraram o Wakefield AFC, da cidade de mesmo nome, próxima a Leeds. A avaliação dos investidores brasileiros era de que o clube criado em 2019 não apresentava dívidas e possuía grande potencial de crescimento, ainda que em divisões mais abaixo do que o planejamento inicial.

O projeto dos empresários brasileiros busca tornar o clube autossustentável financeiramente. Decca entende que todo esse processo será demorado e projeta, em até 20 anos, alcançar a quarta divisão, quando há um salto de investimentos, especialmente com a entrada do dinheiro da transmissão dos jogos. Caso o clube suba para as primeiras divisões, onde o fluxo de dinheiro envolvido é bastante elevado, os donos também vislumbram, claro, ganhar dinheiro.

“O clube não dá lucro ainda, isso será um processo demorado. Nossa visão é a longo prazo. Não podemos achar que toda solução é sempre investir mais dinheiro. A gente sabe como os clubes em divisões acima da nossa gastam, como podemos gastar e é bem razoável chegar lá nesse tempo.”

União com a comunidade

Um dos lemas de Decca desde a compra do Wakefield AFC é aproximar o clube da comunidade e dos negócios locais para que todos se fortaleçam nessa relação. Os investidores apostam nesse pilar para projetar um crescimento estruturado a longo prazo.

“Muitos clubes ingleses falham ao tratar mal a torcida. Fizemos um acordo com os donos anteriores do Wakefield AFC de que não queríamos comprar todas as ações: 15% delas hoje são dos torcedores. Nosso objetivo é estar nas escolas e penetrar na sociedade. Também estamos em processo de comprar um terreno que vamos usar para treinar, mas que também possa ficar para as escolas locais usarem para outras atividades.”

O futebol nas divisões inferiores da Inglaterra não tem um padrão quanto a valores pagos aos atletas. Parcela considerável de jogadores dessas ligas atua em outras profissões, enquanto alguns nem sequer ganham dinheiro, mas desfrutam da oportunidade de estar em campo. “Com 70 mil libras (cerca de R$ 545 mil) de orçamento, dá para ter um bom time. Também já temos uma análise detalhada de quanto vamos ter que investir quando subirmos às próximas divisões.”

A aproximação do clube inglês com o público brasileiro também está em curso. Decca revela que estuda realizar transmissões próprias dos jogos do time para o Brasil, além de produzir podcasts sobre a história do clube em inglês e português.

“Eu pensava que se algum dia tivesse como participar de um clube seria legal. Sempre tive essa ideia me cutucando. Esse não é um projeto para eu ganhar dinheiro, para criar riqueza para mim por meio do clube. É um projeto para quem ama futebol”, afirma o investidor.

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