Domingo, 23 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 14 de janeiro de 2023
Aliados de Jair Bolsonaro (PL) afirmam que o ex-presidente participou de pelo menos duas discussões sobre como reverter a derrota nas urnas, no fim do ano passado, no Palácio da Alvorada. De acordo com relatos, parlamentares inconformados com o resultado queriam que Bolsonaro editasse alguma medida contra o TSE.
Um deles foi o senador eleito Magno Malta (PL-ES), que teria cobrado uma atitude enérgica do então presidente após a imposição de multa de R$ 22,9 milhões ao PL por Alexandre de Moraes. O ex-ministro Gilson Machado também estava na conversa, ocorrida em meados de dezembro. Bolsonaro, segundo presentes, reagiu mal, dizendo que, ao final, seria ele quem sofreria as consequências sozinho.
Antes disso, em novembro, o presidente já havia consultado a sua equipe jurídica com a intenção de contestar a vitória de Lula na Justiça. Foi aconselhado a recuar em razão de potenciais retaliações, entre elas o bloqueio de seus bens.
Também em novembro, no Palácio da Alvorada, o deputado José Medeiros (PL-MT) sugeriu que Bolsonaro decretasse uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem) após ele e outros parlamentares terem suas contas em redes sociais bloqueadas por desinformação. Ele achava que as Forças Armadas deveriam garantir o direito à livre expressão. O pedido chegou a ser analisado pelo Ministério da Justiça e pela Defesa, mas foi formalmente negado.
Apesar de admitir as conversas, aliados de Bolsonaro dizem desconhecer o rascunho de decreto de intervenção achado na casa de Anderson Torres.
Investigação
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, disse que ainda não há elementos para investigar o expresidente Jair Bolsonaro no caso da minuta apreendida na residência do ex-ministro da Justiça Anderson Torres que previa decretar estado de defesa na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“A apreensão do documento em si mesma já é um fato relevante. É claro que isso constará do inquérito policial, porque configura ainda mais cabalmente que existe uma cadeia de responsáveis pelos eventos”, afirmou Dino, durante uma entrevista coletiva na sede do ministério da Justiça.
“Lembro também que o Ministério Público Federal, por intermédio de algumas dezenas de procuradores, solicitou que as investigações se refiram ao senhor Jair Bolsonaro. Mas claro que isso depende da requisição do Ministério Público nesse caso concreto, e nós não temos elementos, ainda, neste instante, para afirmar que o senhor Jair Bolsonaro é investigado, formalmente falando”, declarou o titular da Justiça.
Ataques
O vice-presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo, pediu informações oficiais à Polícia Militar do Distrito Federal e à Abin para saber se tinham indícios prévios de que haveria o quebra-quebra, quem exatamente foi comunicado do alerta e a que horas isso ocorreu. O mesmo pedido foi enviado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), aos ministérios da Defesa e da Justiça, à Secretaria de Segurança do Distrito Federal e à Polícia Federal.