Domingo, 23 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 14 de janeiro de 2023
Ex-ministro da Justiça do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Anderson Torres foi preso pela Polícia Federal na manhã deste sábado (14), após chegar da Flórida a Brasília.
Sua prisão preventiva foi decretada na terça (10) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a pedido da PF. Moraes disse que há indícios de que possa ter havido omissão e conivência de autoridades de segurança do DF com os invasores extremistas.
Torres, que ocupava o cargo de secretário de Segurança Pública do Distrito Federal quando ocorreram as invasões e depredações, nega. Ele disse lamentar “profundamente que sejam levantadas hipóteses absurdas de qualquer conivência minha com as barbáries que assistimos”.
Minuta
Ainda na terça, a Polícia Federal apreendeu uma minuta na casa de Anderson Torres que decretaria um estado de defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a fim de mudar o resultado das eleições de 2022, vencida pelo atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A apreensão, que fez parte das investigações sobre o papel de Torres na invasão e depredação de prédios dos três poderes em Brasília no domingo, aumentou a temperatura em Brasília, e abriu uma série de questões sobre a atuação do ex-ministro durante e após as eleições vencidas por Lula.
Após deixar a pasta da Justiça, Torres assumiu o cargo de secretário de Segurança Pública do Distrito Federal — e foi exonerado no próprio domingo.
A minuta encontrada na casa do ex-ministro era datada de 2022, com dia e mês em branco, e o nome de Bolsonaro. Ela não está assinada e nunca chegou a virar decreto oficial.
O texto, divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo, propunha decretar um “Estado de defesa na sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, com o objetivo de garantir a preservação ou o pronto restabelecimento da lisura e correção do processo eleitoral presidencial do ano de 2022, no que pertine [sic] à sua conformidade e legalidade, as quais, uma vez descumpridas ou não observadas, representam grave ameaça à ordem pública e a paz social”.
O texto também previa a suspensão do sigilo de comunicações dos membros do TSE, que seriam impedidos de frequentar as dependências do prédio. Entre eles, estavam Alexandre de Moraes, Cármen Lucia e Ricardo Lewandowski, todos ministros do STF.
O ex-ministro afirmou no Twitter que o documento estava em “uma pilha de documentos para descarte” e disse que respeita a democracia brasileira.
Inquérito
Na sexta (13), Alexandre de Moraes determinou a abertura de um inquérito contra Torres, o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), que foi afastado do cargo por 90 dias pelo Supremo, o ex-secretário de Segurança do DF Fernando de Sousa Oliveira, que atuava como interino na data das invasões, e o ex-comandante da Polícia Militar do DF Fábio Vieira, para apurar sua responsabilidade em relação ao vandalismo na capital.
Moraes aceitou pedido feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para que Bolsonaro seja incluído como alvo de um dos inquéritos que apuram os responsáveis pela invasão das sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro.
O argumento é que Bolsonaro teria feito uma incitação pública à prática de crimes por ter postado um vídeo, no dia 10 de janeiro, que questionava o resultado das eleições presidenciais de 2022. Foi a primeira vez que a PGR pediu, oficialmente, para investigar Bolsonaro sobre atos antidemocráticos.
Bolsonaro
Ainda não está claro se o ex-presidente tinha conhecimento da minuta que pretendia mudar o resultado das eleições ou se ele teve alguma participação em sua elaboração. Bolsonaro não se pronunciou a respeito do tema até o momento.
Após a derrota para Lula, o ex-presidente fez poucas declarações públicas sobre as eleições. Em uma transmissão ao vivo pelas redes sociais em 30 de dezembro, ele afirmou que tentou uma alternativa “dentro das quatro linhas da Constituição”.
Renato Sérgio de Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que é preciso ainda entender se Torres tratou sobre a previsão de manifestações em Brasília com o ex-presidente.
“Em relação a Anderson Torres, há perguntas que precisam ser respondidas. Uma delas é: ele se encontrou com Bolsonaro e tratou dessas manifestações com o ex-presidente? Se esse tipo de conversa ocorreu, é algo que a sociedade precisa saber”, questionou Lima.
O ex-ministro da Justiça de Bolsonaro era tido como um dos seus aliados mais fiéis.