Domingo, 20 de Setembro de 2026

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A duas semanas do primeiro turno da eleição presidencial, aliados de Flávio Bolsonaro (PL) ainda veem riscos à candidatura por causa da atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Após considerarem que as acusações de vínclulo entre o clã e o presidente norte-americano Donald Trump perderam força, mas temem que a pressão do irmão por novas sanções contra autoridades brasileiras traga de volta o “fantasma do tarifaço” na reta final.

A leitura de interlocutores de Flávio é que a candidatura chega às últimas duas semanas em situação diferente da enfrentada nos primeiros meses da corrida presidencial. Além de considerarem que a relação com Trump deixou de ocupar o centro das críticas ao senador, aliados apontam como trunfos a tentativa de associar politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e o maior espaço conquistado por temas como segurança pública e economia no confronto com o petista.

É nesse cenário que a movimentação de Eduardo nos Estados Unidos provoca incômodo. O deputado cassado tem defendido uma nova rodada de sanções contra Moraes e mantido o assunto em evidência. Para aliados de Flávio, o risco é que eventuais novas medidas americanas voltem a aproximar a candidatura do governo Trump justamente quando esse vínculo havia perdido espaço no debate eleitoral.

As declarações dos dois irmãos na quinta-feira passada (17) evidenciaram a diferença de tom. Em Vitória da Conquista (BA), Flávio procurou afastar qualquer participação americana na eleição ao ser questionado sobre a revelação de que o governo Trump apresentou ao Brasil uma exigência relacionada à participação de “dissidentes políticos” no pleito deste ano.

Eduardo, por sua vez, voltou a defender no mesmo dia a pressão dos Estados Unidos sobre autoridades brasileiras. O ex-parlamentar disse que tem pedido sanções contra Moraes nos encontros que mantém naquele país e argumentou que eventuais medidas adotadas pelo governo americano independem do calendário eleitoral brasileiro:

“Os Estados Unidos não se guiam ao sabor da eleição brasileira, mas pela lei americana. Depois deste julgamento nesta semana, ficou claro que tem gente acobertando o Alexandre. Não somos nós que falamos quando vai ser. Em qualquer lugar que eu vou, peço sanção a Moraes”.

Precedente do tarifaço

O incômodo relatado por aliados não está na ofensiva contra Moraes. Flávio também intensificou os ataques ao ministro e passou a explorar a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) como um dos eixos de confronto com Lula na reta final. A preocupação é que a articulação de Eduardo nos Estados Unidos volte a vincular a candidatura às ações de Trump.

A preocupação tem como pano-de-fundo o desgaste provocado pela ofensiva comercial de Trump contra o Brasil. O presidente americano vinculou medidas adotadas contra o país à situação de Jair Bolsonaro e a decisões do Judiciário brasileiro, enquanto Eduardo atuava nos Estados Unidos em defesa de sanções contra autoridades.

Isso deu nova munição aos adversários para associar a família Bolsonaro às consequências econômicas das medidas americanas e transformou a relação com Trump em um ponto de atenção para Flávio durante a pré-campanha. Agora, aliados avaliam que o assunto perdeu peso, mas temem que uma nova rodada de sanções devolva espaço ao tema, a poucos dias da votação.

A avaliação no entorno de Flávio não é de que qualquer nova ofensiva do governo Trump seja necessariamente negativa à candidatura do PL. Auxiliares do presidenciável viram positivamente, por exemplo, a pressão mais recente dos Estados Unidos sobre o governo Lula em relação ao combate ao crime organizado.

Em relatório anual enviado ao Congresso americano com a lista dos principais países de trânsito e produção de drogas ilícitas, Trump afirmou que o governo brasileiro falhou em confrontar o PCC e o CV, classificados por Washington como organizações terroristas, e cobrou “medidas enérgicas” contra as facções.

Para integrantes da campanha, a cobrança do presidente norte-americano cria um novo foco de desgaste para o petista e reforça um dos principais eixos da campanha de Flávio, que é justamente a defesa de uma política mais dura de segurança pública.

A leitura desses aliados é que a crítica americana às ações do governo brasileiro contra o PCC e o Comando Vermelho pode ser incorporada ao discurso eleitoral de Flávio sem que o candidato precise assumir a ofensiva de Trump. O senador tem procurado manter distância de qualquer participação americana na disputa e, ao mesmo tempo, explorar a segurança como uma área em que pretende se diferenciar de Lula. (com informações do jornal O Globo)

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