Sábado, 16 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 15 de maio de 2026
A revelação de conversas e uma relação de intimidade entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, após o pré-candidato dizer publicamente e reservadamente para líderes de direita que não tinha contatos com o dono do Banco Master, causou uma sensação de quebra de confiança entre seus apoiadores.
Políticos ouvidos pela Folha de S.Paulo afirmam que o clima é de apreensão por causa da expectativa de que novos diálogos possam surgir contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na avaliação de lideranças do PL, o pedido de financiamento para o filme “Dark Horse”, revelado pelo site The Intercept Brasil, é algo de menor gravidade e possível de ser contornado se comparado com o caso do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O parlamentar foi alvo na semana passada de uma operação da PF, sob suspeita de ter recebido R$ 300 mil mensais para defender o banco no Congresso. Ele nega.
O problema, avaliam seus aliados, foi Flávio mentir para os próprios correligionários e também publicamente sobre não ter nenhuma relação com Vorcaro. O áudio revelado mostra o pré-candidato chamando o dono do Master de “irmão”. Mensagens também demonstram proximidade, inclusive conversa sobre um jantar na casa do ex-banqueiro.
Se tivesse avisado do pedido de financiamento para o filme, seus aliados dizem que poderiam ter no mínimo preparado um discurso para reação rápida caso a delação fosse revelada. Os correligionários reclamam que foram pegos desprevenidos.
Um deputado do PL afirma reservadamente que Flávio deveria ter se antecipado quando o escândalo do Master estourou e falado de antemão que havia firmado um trato com Vorcaro para financiar o filme, mas que agia de forma transparente ao revelar o contrato – o que esvaziaria as acusações.
A falta de alerta aos aliados, mesmo que num grupo mais restrito, também atrasou a reação da campanha à denúncia e dificultou uma resposta mais coordenada nas redes, o que ampliou o desgaste da pré-candidatura e levantou mais suspeitas de irregularidades.
Dessa forma, eles apontam que será difícil desfazer a imagem de “mentiroso” perante o eleitorado. Internamente, consideram que a quebra de confiança também é irreversível. A mensagem que fica, segundo descreve um correligionário, é “se ele escondeu isso, pode ter escondido muito mais”, situação que causa apreensão sobre novas denúncias.
Interlocutores de Flávio criticaram de forma reservada a resposta da pré-campanha à crise deflagrada pelo áudio. No momento de maior tensão da pré-campanha de Flávio até aqui, a avaliação de parte dos aliados do senador é de que a declaração dada demorou, o vídeo gravado por ele acabou fora do tom, pontas soltas ficaram sem explicação e houve um erro inicial de transparência.
Despreparo, amadorismo, bateção de cabeça e falta de comando foram expressões usadas para descrever o contra-ataque. Segundo três pessoas ouvidas pela reportagem da Folha, a resposta foi pior para Flávio do que a crise em si.
O chefe de comunicação da pré-campanha, Marcello Lopes, afirmou que Flávio “demonstrou equilíbrio, preparo e maturidade diante da primeira grande crise da campanha”, crescendo politicamente.
Por enquanto, com base na revelação atual de que Flávio pediu recursos e recebeu R$ 61 milhões de Vorcaro para financiar o filme, a avaliação interna é de que o caso provocará desgaste eleitoral, mas pode ser esquecido até outubro, principalmente pelo provável envolvimento de outros políticos no escândalo.
O clima é de manutenção da pré-campanha de Flávio e, internamente, não se cogita uma mudança na chapa. Entre parlamentares da base bolsonarista sem tanto vínculo com a cúpula, no entanto, a percepção é de que novas revelações podem abalar a pré-candidatura e forçar o PL a uma substituição, sob risco dos votos da direita migrarem para outros candidatos do campo conservador, como o ex-governador Romeu Zema (Novo).
Zema até então poupava Flávio e concentrava suas críticas no centrão ou no STF (Supremo Tribunal Federal) enquanto era cotado como vice. Na quarta (13), após a revelação das conversas, o ex-governador mineiro afirmou que a atitude do senador era “imperdoável” e “um tapa na cara dos brasileiros de bem”.
Já Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que Flávio precisa se explicar sobre a relação com Vorcaro, mas depois gravou um vídeo “fazendo uma reflexão”, defendendo que a centro-direita não pode se dividir e que o “fundamental é derrotar o PT e o Lula” no segundo turno da eleição.
Os aliados do senador minimizam a situação, afirmando que não há ilegalidade no pedido de financiamento e que o caso não envolveu dinheiro público nem houve contrapartidas a esse aporte de recursos. Eles dizem que o Master operava com aval do Banco Central e que, na época, a toxicidade de Vorcaro não era conhecida. (Com informações da Folha de S.Paulo)