Sábado, 07 de Novembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 7 de novembro de 2026
Cerca de 130 pesquisadores estimam que a dengue no próximo ano atingirá o patamar de 866 mil casos. Um valor próximo ao volume de detecções da infecção em 2025 e 2026. O levantamento tem um intervalo de confiança entre 560 mil e 1,6 milhão de casos para o próximo ano. Os dados foram apresentados no webinário “Preparação para a temporada de dengue 2027”, promovido pela Fiocruz, pela Fundação Getulio Vargas (FGV), pelo Mosqlimate, pelo InfoDengue, pelo Kwar-AI e pela The Global Health Network América Latina e Caribe (Tghn-lac).
A previsão de estabilidade em relação aos anos anteriores ocorre apesar da presença do El Niño, cujos efeitos costumam favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti, o transmissor da doença. A modelagem não considerou o fenômeno climático porque os achados dos ensaios não indicavam com clareza o impacto da mudança do volume de chuvas e de temperatura no país ao longo dos meses. Os pesquisadores apontam que a presença do fenômeno deve ser percebido de maneira diferente nas regiões e acompanhado em “modelos de curto prazo”.
A projeção apresentada leva em conta o trabalho de 22 equipes — nacionais e internacionais — que se debruçaram sobre dados da dengue no país para tentar calcular o tamanho do desafio a ser controlado em 2027. Do total, apenas três desses levantamentos de grupo tinham variáveis climáticas em suas medidas, ou sejam, avaliavam a chegada do El Niño. Os dados produzidos por esses cálculos, porém, eram muito discrepantes entre si. Diante desses achados, os pesquisadores determinaram que o efeito do fenômeno climático é “incerto”. Reconhecem, porém, que em algumas regiões do Sul e Sudeste o impacto da mudança do padrão de chuva e temperatura deve alterar a presença de casos.
“O El Niño ainda não nos dá certeza de uma explosão de casos. Há, porém, apenas um modelo (entre os 22 que compõem o estudo original) que prevê um ano quase tão grande quanto 2024 (quando houve recorde de transmissão). Não está eliminada a possibilidade de uma grande epidemia, mas a tendência é que não seja nada extremo”, explicou Flávio Codeço Coelho, pesquisador da FGV e do Mosqlimate.
Apesar do patamar semelhante ao de anos anteriores — em 2025 o país teve 1,6 milhão de casos de dengue — os especialistas afirmaram que a doença requer atenção e que a rede de saúde precisa estar preparada para acompanhar o volume de casos. Em 2027, a projeção é que o pico de casos ocorra em abril, com 40 mil registros por semana.
O material dá pistas sobre mudanças regionais. De acordo com o levantamento, estados como o Rio, Paraná, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais devem ter mais casos do que em anos anteriores. Nas outras localidades, o volume de diagnósticos deve manter-se igual ou inferior a 2025 e 2026. A ideia, dizem os especialistas, é que apesar do prognóstico de manutenção apresentado pelo levantamento, os dados devem servir de repertório para ações de controle da doença.
“Trabalhar com projeções tem que ser visto como um instrumento para ação. Modelagem não é bet, não estamos apostando num número x daqui a um ano. Projeção nesse contexto acadêmico tem o objetivo de construir cenários, plausíveis, de acordo com a informação existente, que devem apoiar tomadas de decisão baseadas em evidência”, afirmou Claudia Codeço, Pesquisadora da Fiocruz e do InfoDengue.
Chikungunya
O modelo do estudo, chamado de “desafio” pela primeira vez trouxe dados da sazonalidade de chikungunya a partir da avaliação de 11 modelos matemáticos — metade do volume utilizado para dengue. O cálculo apresenta a projeção de 90 mil casos prováveis no próximo ano. O volume é menor do que registrado na temporada de 2024-2025, com 127 mil casos e maior do que 2025-2026 com 76 mil casos.
O aumento de casos se dará sobretudo no Nordeste, sobretudo no Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba, Sergipe e Piauí. Também inspiram atenção os três estados da Região Sul. Além deles, também verão aumento nos indicadores os estados de São Paulo, Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul. Esse último sendo o estado com maior ocorrência da doença. Os outros estados devem acompanhar patamares anteriores. O Espirito Santo, no caso da chikungunya, não foi considerado por problemas nas notificações de casos. (Com informações do jornal O Globo)