Quarta-feira, 05 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 4 de agosto de 2026
Associado a outros fatores climáticos, o ingresso de uma frente fria derrubará as temperaturas no Rio Grande do Sul a partir de sexta-feira (7), após vários dias de calor. O fenômeno deve ocorrer em diversas regiões do mapa gaúcho, apesar de mais intenso na Metade Sul do Estado – não se descarta a possibilidade de novas ocorrências de geada, informa a empresa MetSul Meteorologia.
Nesta quarta e quinta-feira, porém, a tendência é de manutenção do ar quente e úmido, com muita nebulosidade e alternância de episódios localizados de chuva e aberturas de sol. A sensação é de abafamento, a exemplo do que tem ocorrido nos últimos dias.
“Uma grande ruptura no padrão de temperatura deve ser esperada para os próximos dias, com a chegada de uma massa de ar frio que trará de volta as condições típicas de inverno”, avisa o texto publicado no site metsul.com por Estael Sias, meteorologista formada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e mestre pela Universidade de São Paulo (USP).
Análise
Ainda de acordo com Estael, a segunda metade do outono e o começo do inverno foram marcados por frio persistente com sucessivas massas de ar polar. No Rio Grande do Sul, maio e junho tiveram um número alto de dias com temperaturas abaixo de zero, enquanto Santa Catarina registrou mínimas inferiores a -9°C no Planalto Sul.
“Esse cenário mudou de forma abrupta entre a segunda e a terceira semana de julho, quando a atmosfera passou a apresentar características clássicas de El Niño nas latitudes médias da América do Sul”, explica. “A mudança trouxe muitos dias de temperatura acima da média e de calor.”
Nos dias 17 e 18 de julho, várias cidades do Rio Grande do Sul superaram 35°C – em Porto Alegre, chegou a 33,8°C, maior temperatura já observada em julho desde o início das medições (em 1910). O padrão de temperatura acima da média persistiu no final de julho e se mantém nos primeiros dias de agosto, com vários dias em que a temperatura ficou perto e acima dos 30ºC sob a influência de várias correntes de jato em baixos níveis.
Justamente a mudança de padrão observada na metade de julho faz com que o Rio Grande do Sul não registre temperatura abaixo de zero desde 15 de julho. São 20 dias sem índices negativos, segundo período mais longo desde o primeiro registro de temperatura abaixo de zero do ano em 28 de abril.
“O Centro-Sul do Brasil se encontra sob a influência de uma grande massa de ar quente”, acrescenta a especialista. “No Sudeste e Centro-Oeste, o ar é seco e favorece as máximas muito altas, de até 35ºC a 40ºC em pontos do Brasil Central. Mais ao Sul, o ar quente é úmido, o que gera instabilidade, especialmente no Rio Grande do Sul.”
(Marcello Campos)
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