Terça-feira, 04 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 4 de agosto de 2026
A procura por novos parceiros comerciais e a articulação diplomática para mitigar os impactos das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos estão entre as principais estratégias adotadas pela indústria gaúcha para manter o ritmo de exportações. A avaliação é do presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, que esteve nesta terça-feira (04) na sede da Rede Pampa, em Porto Alegre, acompanhado de comitiva.
Com o início da vigência da tarifa de 12,5% em julho, somada à de 25% já em vigor, 87,2% das exportações gaúchas aos Estados Unidos passaram a sofrer algum tipo de sobretaxação, que pode chegar a 37,5% em boa parte dos embarques. “Este ‘tarifaço’ foi um problema para toda a indústria gaúcha, porque nós somos o segundo Estado exportador para o mercado norte-americano”, afirmou Bier.
Madeira, tabaco, couro e calçados estão entre os setores mais afetados — segmentos que, segundo a Federação, empregam milhares de trabalhadores e têm produção voltada especificamente ao mercado estadunidense.
Diante do impasse, a indústria aposta na diversificação. “A saída é procurar outros mercados, e nós já estamos fazendo isso”, disse Bier, citando a Índia como um dos destinos que vêm ganhando espaço. Para ele, além da ampliação de destinos, há a necessidade de reforçar o diálogo com o empresariado norte-americano. “Estamos trabalhando com os nossos clientes nos Estados Unidos, para que eles pressionem o governo americano – eles é que têm mais força lá dentro”. Segundo Bier, os próprios importadores estadunidenses já sentem a falta do fornecedor brasileiro: “Não se consegue trocar de fornecedor de uma hora para outra. Eles também estão com problemas sérios”.
Obstáculo eleitoral
Questionado sobre o andamento das tratativas do governo brasileiro com os Estados Unidos, Bier foi direto ao apontar o calendário político como um obstáculo. “Infelizmente, está acontecendo tudo num ano eleitoral. Isso atrapalha, porque há interesses de um lado e de outro, e isso acaba prejudicando a indústria brasileira, principalmente a gaúcha”, disse, lembrando que os EUA estão entre os maiores mercados externos do Estado.
O tema eleitoral também apareceu quando Bier comentou a entrega, no mês passado, de um documento com propostas da indústria aos candidatos ao governo do Estado. O líder empresarial disse esperar que os itens sejam incorporados aos planos de governo dos concorrentes ao Piratini. “Toda a equipe técnica, política e a diretoria da FIERGS elaborou um documento importantíssimo. Esperamos que ele seja aproveitado, porque ali está a essência do que a indústria gaúcha precisa”, afirmou.
Recuperação tímida
Apesar das incertezas, a Sondagem Industrial da FIERGS referente a junho trouxe um dado positivo: depois de dois meses de retração, a produção da indústria gaúcha voltou a crescer, ainda que timidamente. Para Bier, a explicação está na conjuntura do comércio exterior. “São dois temas: os novos mercados que já conseguimos abrir e o período em que as tarifas nos Estados Unidos baixaram, quando aproveitamos para exportar”, explicou.
Para os próximos meses, a expectativa segue condicionada a uma solução negociada. “É que a gente venha politicamente resolver esse problema dos Estados Unidos e continuar abrindo outros mercados. Não vemos outro caminho a não ser esse”, resumiu Bier.
por Bruno Laux (@obrunolaux)