Sexta-feira, 21 de Junho de 2024

Home em foco Aumenta busca por vasectomia após mudança em direito a aborto nos Estados Unidos

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Em junho deste ano, a Suprema Corte dos EUA derrubou a proteção constitucional para o aborto. Desde então houve um aumento na procura por cirurgias de vasectomia. Muitos homens jovens estão se informando e se submetendo à vasectomia. É uma tendência que vem sendo observada informalmente em diversos países e atingiu particularmente seu pico nos Estados Unidos, desde a decisão da Suprema Corte que reverteu a decisão do caso Roe x Wade, que protegia o direito ao aborto desde 1973.

O Google Trends observou um enorme aumento nas buscas por “vasectomia” nos Estados Unidos, além dos termos de busca relacionados “Roe” e “aborto”. E o volume de buscas foi ainda maior em lugares onde havia leis de gatilho.

Um relatório da companhia de pesquisas de saúde Innerbody Research demonstrou que as buscas por “onde posso fazer vasectomia” aumentaram em 850% nos dias que se seguiram à notícia, com saltos maiores nos Estados americanos conservadores do Texas e da Flórida.

Uma clínica na Flórida declarou à rede americana CBS News que o número de homens sem filhos submetendo-se à vasectomia com menos de 30 anos de idade dobrou desde a decisão judicial, enquanto urologistas de Nova York, Califórnia, Iowa e outros lugares relataram aumentos similares.

É uma tendência que está desafiando os padrões. A responsabilidade pelo controle de natalidade, mesmo para casais em relacionamento longo, sempre recaiu desproporcionalmente sobre as mulheres. A esterilização feminina, anticoncepcionais de uso oral, DIUs e outras opções para as mulheres permanecem sendo as formas mais comuns de controle da natalidade nos Estados Unidos.

Mas, com mais americanos preocupados com decisões contraceptivas após a decisão do caso Dobbs, o aumento do interesse pela vasectomia pode sinalizar uma mudança, com os homens assumindo maior grau de responsabilidade por sua própria reprodução.

Prática restrita

Em muitos países, a vasectomia é uma prática restrita.

As taxas são especialmente baixas nos países em desenvolvimento, com prevalência média (como forma de contracepção entre os parceiros de mulheres com 15 a 49 anos de idade em relacionamentos) de 0% a 2%.

Em outros países, ela é mais comum. Dados de 2015 das Nações Unidas indicam que, no Canadá e no Reino Unido, a prevalência é de 21,7% e 21%, respectivamente. E, nos Estados Unidos, esse número é de 10,8%.

Embora a vasectomia tenha diminuído entre os homens americanos com 18 a 45 anos de idade entre 2002 e 2017, estudos documentaram alguns picos notáveis, especialmente durante a Grande Recessão, entre 2007 e 2009.

“O aumento de 34% da prática de vasectomia durante a Grande Recessão apresentou forte correlação com o aumento da taxa de desemprego”, segundo pesquisadores do Departamento de Urologia da Universidade Stanford, nos Estados Unidos.

Mas as condições econômicas não são o único fator do aumento da vasectomia. Preocupações relacionadas ao clima e à superpopulação também trouxeram para algumas pessoas o desejo de limitar o tamanho da família ou de não ter filhos.

Na Austrália, a prática de vasectomia é relativamente alta, em comparação com alguns países desenvolvidos. Os médicos australianos estão relatando aumento dos homens com menos de 30 anos de idade que procuram o procedimento.

Entre 2020 e 2021, “houve um aumento de cerca de 20% do número de homens sem filhos com menos de 30 anos procurando vasectomia”, segundo contou um médico australiano à rede local SBS News. E também têm surgido relatos de episódios que demonstram que a vasectomia entre os homens jovens está se tornando mais comum no Reino Unido e até na China, onde a esterilização segue sendo um tabu cultural.

Nos Estados Unidos, o professor Alexander Pastuszak, da divisão de cirurgia urológica da Universidade de Utah, afirma que a razão mais comum para os homens buscarem a vasectomia costumava ser “minha esposa me pediu”. Mas ele afirma que, desde a decisão da Suprema Corte, mais homens parecem estar tomando para si a responsabilidade das suas opções reprodutivas, já que as opções das mulheres ficaram mais limitadas.

O criador de conteúdo Keith Laue, de Austin, no Texas (EUA), tem 23 anos de idade e afirma que se submeteu ao procedimento porque acredita que as mulheres não devem carregar sozinhas o ônus do controle de natalidade.

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