Sábado, 29 de Agosto de 2026

Home em foco Banqueiro Daniel Vorcaro presta depoimento à Polícia Federal (PF) por aproximadamente quatro horas e diz que “poderia falar muito mais”

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O banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal (PF) por aproximadamente quatro horas nessa sexta-feira (28), no inquérito que apura suspeitas de cooptação de dois servidores do Banco Central. Ele negou ter praticado atos de corrupção desses servidores, mas, no fim do depoimento, disse à PF que, se estivesse em um ambiente de delação premiada, “poderia falar muito mais coisas” sobre o assunto.

O depoimento seria realizado na quinta, mas acabou sendo adiado por problemas técnicos. A PF fez questionamentos sobre a relação de Vorcaro com o ex-diretor de fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves, e com o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária Belline Santana.

Eles são suspeitos de ter recebido propinas em troca de uma consultoria informal ao dono do Banco Master durante o processo de tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB). Vorcaro disse que os pagamentos feito a eles não continham irregularidades.

Cunhado

Belline foi contratado por um operador de Vorcaro para uma consultoria em um projeto para conectar jovens da periferia ao mercado financeiro, que a PF diz ter sido apenas de fachada, enquanto Paulo Sérgio vendeu um terreno ao cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel.

No depoimento, Vorcaro disse que os pagamentos a Belline foram efetivamente para um projeto de jovens e que a transação com Paulo Sérgio Neves foi definida por seu cunhado para um investimento imobiliário.

De acordo com comunicado feito por sua defesa, Vorcaro negou atos de corrupção. “Daniel respondeu de forma clara e consistente a todos os questionamentos que lhe foram formulados, não deixando qualquer indagação sem esclarecimento. Restou demonstrado, em especial, que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores mencionados na investigação”, afirmou a nota assinada pela equipe de advogados de defesa do banqueiro.

O depoimento foi colhido por videoconferência de dentro da unidade prisional da Papudinha, onde Vorcaro está detido há cerca de dois meses. O delegado responsável pelo caso e a defesa também participaram por vídeo.

“Plena disposição”

Esse foi o primeiro depoimento de Vorcaro à PF depois que ele tentou fazer um acordo de delação premiada que acabou sendo rejeitado pelos investigadores. Foram duas propostas recusadas. Na última tentativa, em junho, investigadores da PF avaliaram que as informações apresentadas pelo dono do Banco Master não traziam novidades diante das provas já colhidas no inquérito, como o conteúdo do celular de Vorcaro.

Sua defesa, contudo, tem sinalizado que ele continua querendo colaborar e quer tentar fazer uma terceira proposta de delação, mas ainda não houve nenhum movimento concreto nesse sentido. A frase dita pelo banqueiro à PF no depoimento foi uma demonstração dessa disposição. No fim do interrogatório, ele afirmou que “poderia falar muito mais coisas” se estivesse em um ambiente de colaboração premiada.

A defesa disse que Vorcaro “externou, ainda, sua plena disposição de prestar esclarecimentos mais amplos e aprofundados sobre os fatos, desde que lhe seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar”. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)

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