Sábado, 29 de Agosto de 2026

Home Eleições 2026 Lobista Roberta Luchsinger é uma figura conhecida nos bastidores do PT de São Paulo e já foi até candidata a deputada estadual pelo partido, em 2018

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A afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que não conhece a empresária Roberta Luchsinger, lobista e amiga de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi classificada pelo comando da campanha petista como uma “derrapada”. Roberta é uma figura conhecida nos bastidores do PT de São Paulo e já foi até candidata a deputada estadual pelo partido, em 2018.

Depois da entrevista à TV Globo, na quinta-feira (27), em que disse nunca ter visto “essa moça” na vida, pipocaram fotos de todos os lados em que Lula aparecia ao lado dela. O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, aproveitou a deixa para postar alguns desses retratos. “Mentir é tudo que ele sabe…”, escreveu o senador.

Ainda nessa mesma noite, coordenadores do comitê de Lula diziam que era preciso fazer um freio de arrumação no “ato falho” do presidente para conter o estrago. Um deles afirmou, sob reserva, que o presidente não se lembrava de Roberta porque ela não era alguém de seu convívio.

Outro interlocutor de Lula relatou que, ainda neste mês, quando trechos dos inquéritos da Polícia Federal (PF) foram vazados, o presidente perguntou: “Quem é essa mulher?”. O aliado, então, mostrou fotos da empresária, inclusive com ele. Além disso, lembrou que, em 2017, Roberta anunciou que doaria R$ 500 mil ao petista, após o então juiz Sérgio Moro ter decretado o bloqueio de seus bens. O presidente teria respondido que nenhum dinheiro chegou a ele nem ao PT e que não conhecia a lobista. À época, a doação de Roberta foi barrada pela Justiça.

Registros

Foi para tentar desfazer a ideia de que Lula mentiu que a campanha divulgou uma nota, na sexta-feira (28), destacando que ele é abordado com frequência por inúmeras pessoas para registros fotográficos. A nota, que passou pelo crivo do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, reiterou, porém, que o presidente “não mantém qualquer relação com Roberta Luchsinger e nunca teve interlocução com ela”.

De qualquer forma, mesmo tentando se distanciar de Roberta – chamada por ele de “pilantra” – e de seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola –, o presidente não seguiu à risca a orientação de Sidônio ao participar da sabatina do Jornal Nacional. Tampouco do marqueteiro Raul Rabelo e de coordenadores da campanha.

Lula agiu por intuição e ficou numa espécie de “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”. A portas fechadas, em reuniões no início da semana, Sidônio foi um dos que mais defenderam uma posição mais incisiva do presidente sobre o caso Lulinha.

Ninguém esperava que ele condenasse o filho de antemão, mesmo porque as investigações da PF envolvendo suspeitas de tráfico de influência de Lulinha e Roberta no governo estão em andamento. Mas a orientação era para que Lula adotasse tom mais duro sobre o filho, na tentativa de se descolar do potencial escândalo.

Marcola

Como mostrou o Estadão, o presidente resistia a essa abordagem. Mesmo assim, Lula acatou parte do conselho dos marqueteiros e subiu o tom contra Marcola. Embora observando que considerava o ex-chefe de gabinete quase como um filho, afirmou que o contato dele com Roberta foi “totalmente errado” e disse estar “deprimido e chateado” após as revelações da PF.

As declarações são uma nota acima em relação ao comentário feito por Lula no dia 5 de agosto, após Marcola ter sido obrigado a sair do time que dá as cartas na campanha. “Quem aqui nunca pediu empréstimo para um amigo?”, perguntou.

Marcola teve divergências com Sidônio sobre os rumos da comunicação do governo. Agora, amigos do ex-chefe de gabinete atribuem o novo tom adotado por Lula a uma ação pessoal do ministro para queimá-lo. (As informações são de O Estado de S. Paulo)

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