Sábado, 29 de Agosto de 2026

Home Eleições 2026 Nas duas agendas que teve com agentes do mercado financeiro, Flávio Bolsonaro ouviu críticas aos “excessos” do Judiciário e afirmou que, se eleito, a relação com o Supremo ficará mais fácil quando ele nomear quatro ministros para as vagas que abrirão durante o próximo mandato presidencial

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O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ouviu críticas aos “excessos” do Judiciário nas duas agendas que teve com agentes do mercado financeiro. Ele afirmou que, se eleito, a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF) ficará mais fácil quando ele nomear quatro ministros para as vagas que abrirão durante o próximo mandato presidencial.

Flávio foi questionado sobre ajuste fiscal, corte de gastos, reforma tributária e concessões. Ele afirmou não ser “um radical em privatização”, que existem ativos estratégicos de que não se pode abrir mão e que a geopolítica mundial deixa isso mais claro hoje em dia. Os relatos foram feitos por duas pessoas que estiveram nos encontros.

Acompanhado da economista e ex-presidente da Caixa Daniella Marques, o candidato esteve à tarde na sede do Bradesco em Osasco (SP), onde foi recepcionado por Luiz Carlos Trabuco, presidente do Conselho de Administração do banco, e pelo presidente Marcelo Noronha para uma conversa com cerca de 30 lideranças da empresa.

Na noite de quinta (27), Flávio foi a um jantar na casa de Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil e hoje sócio da gestora QMS Capital, em São Paulo. Aproximadamente 15 convidados estavam presentes, entre eles Fernando Simões, CEO da Simpar; Richard Gerdau, executivo da Gerdau; José Galló, ex-CEO da Renner; Fábio Carvalho, CEO da Abril; Pedro Parente, sóciofundador da eB Capital; e João Camargo, presidente do Conselho da Esfera Brasil.

As perguntas mais frequentes foram sobre o norte de um eventual governo, se ele manteria uma postura de comprar briga com o STF assim como fazia seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e se assumiria o cargo para resolver problemas e gargalos do País. “Eu sei que vou ser cobrado para entregar resultados”, respondeu ele, segundo relato de pessoas presentes, o que foi entendido como uma sinalização de que terá um governo mais pragmático se for eleito.

O candidato repetiu que tem a intenção de ficar só um mandato no poder, seja ele de quatro ou cinco anos, e depois permitir que outra liderança dispute a cadeira. O discurso tem sido visto como uma estratégia para atrair setores da direita ainda resistentes em apoiá-lo, em especial as lideranças de São Paulo próximas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

No começo do ano, Flávio protocolou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para acabar com a reeleição, tentando deixar a promessa mais palpável.

Os empresários reclamaram do que veem como ingerência indevida do STF, como no caso da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) das Favelas, e dos privilégios no Judiciário. Nesta semana, a Corte criou mais um benefício para a elite de seus servidores, seis meses após o ministro Flávio Dino ter determinado limites aos penduricalhos.

A ADPF das Favelas determinou a elaboração de um plano para retomar áreas ocupadas por organizações criminosas no Rio e a investigação pela Polícia Federal sobre crimes e violações de direitos humanos, o que foi visto pelo governo fluminense como obstáculo ao combate ao crime.

Sobre o Judiciário, o candidato optou por respostas políticas. Sem mencionar impeachment de ministros do Supremo, ele disse que, se eleito, precisará sentar com cada um dos ministros para conversar. Flávio foi questionado sobre o perfil de seu eventual ministério. Respondeu que, caso derrote o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chegará ao poder sem débito com ninguém. (As informações são de O Estado de S. Paulo)

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