Sexta-feira, 18 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 18 de setembro de 2026
A maioria dos brasileiros considera que está com a saúde em dia, mas os indicadores e hábitos revelados por uma pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center mostram um cenário diferente. Segundo o levantamento, realizado em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, 59% dos entrevistados avaliam a própria saúde como ótima ou boa.
Ao mesmo tempo, 63% estão acima do peso e 42% afirmam nunca praticar atividade física. Excesso de peso e sedentarismo estão entre os fatores que podem aumentar o risco de desenvolvimento de diferentes tipos de câncer.
O levantamento ouviu presencialmente 2.015 pessoas com 16 anos ou mais nas 27 unidades da Federação, entre os dias 25 e 30 de junho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
Para Walter da Costa, gerente médico do A.C.Camargo Cancer Center, essa percepção pode estar relacionada ao fato de muitas pessoas não terem uma doença diagnosticada ou não precisarem de tratamento naquele momento.
“Apesar de não fazer nenhuma atividade física ou ter um hábito dietético ruim, a pessoa ainda goza de uma boa saúde e isso, para ela, é uma justificativa para que continue da mesma forma. A ausência de sintomas não quer dizer a ausência de risco”, afirma.
Excesso de peso e sedentarismo
O excesso de peso aparece entre os principais achados do levantamento. A partir do peso e da altura informados pelos participantes, a pesquisa calculou o índice de massa corporal (IMC) e identificou que 63% estão acima do peso considerado adequado: 37% apresentam sobrepeso e 26%, obesidade.
A proporção de entrevistados com sobrepeso ou obesidade varia conforme a idade: 16 a 24 anos: 41%; 25 a 40 anos: 63%; 41 a 59 anos: 73%; 60 anos ou mais: 60%.
A prática de atividade física também é pouco frequente na rotina de parte dos entrevistados. Segundo a pesquisa, 42% afirmam nunca fazer exercícios. Na amostra total, a média de prática é de 2,4 dias por semana.
Os dois resultados são relevantes para a prevenção do câncer. De acordo com Costa, excesso de peso e sedentarismo estão associados ao maior risco de alguns tipos de tumores, como os de mama e próstata. Eles se somam a outros fatores modificáveis, como alimentação inadequada, consumo de álcool e tabagismo.
O peso de cada um desses fatores, porém, varia de acordo com o tipo de câncer. “Se a gente levar em consideração o conjunto, todos eles são ruins e devem ser combatidos”, afirma.
Alimentação saudável
Na alimentação, a pesquisa mostra um cenário mais favorável. Dois em cada três entrevistados (66%) afirmam consumir alimentos frescos, como frutas, verduras, legumes, ovos e carnes, em seis ou mais dias da semana. Já ultraprocessados, bebidas açucaradas, doces e frituras entram no cardápio, em média, cerca de duas vezes por semana.
O acesso a uma alimentação saudável, no entanto, não é igual para todos. O preço de carnes frescas, frutas e vegetais é a dificuldade mais citada pelos entrevistados, mencionada por 29%. Falta de tempo e cansaço aparecem em seguida, com 21%.
A renda ajuda a mostrar como esses obstáculos mudam. Entre quem recebe até um salário mínimo, quatro em cada dez entrevistados dizem que o preço dificulta comer melhor. Na faixa acima de cinco salários mínimos, essa proporção cai para 10%, e a falta de tempo ou o cansaço passam a pesar mais, citados por 39%.
Para Costa, enfrentar essas barreiras exige estratégias diferentes. Para a população de menor renda, uma das medidas seria ampliar o acesso a alimentos saudáveis. Quando o problema é a falta de tempo, o especialista destaca a necessidade de incorporar a alimentação saudável à rotina.
“Acho que é uma questão mais de organização e da pessoa encarar com mais seriedade a alimentação saudável como um hábito de vida, uma escolha de vida”, diz.
Percepção
Apesar dos resultados apontarem fatores de risco importantes, os dados precisam ser interpretados com uma ressalva: informações como peso, altura, alimentação e prática de atividade física foram fornecidas pelos próprios entrevistados.
“Temos que olhar esses dados com a preocupação de que não necessariamente o que aparece ali é a realidade, e sim uma autopercepção”, ressalta Costa.
Para o especialista, essa limitação não diminui a importância de observar os próprios hábitos, mesmo na ausência de sintomas ou de doenças diagnosticadas. Manter o peso adequado, praticar exercício regularmente e cuidar da alimentação são atitudes que podem contribuir para reduzir o risco de diferentes tipos de câncer. (Com informações de O Estado de S. Paulo)