Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2022

Home em foco Brasileiros relatam medo com a retomada de lockdown na Holanda, que já estava mais aberta

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A Holanda entrou em lockdown neste sábado (13) para conter a Covid-19, e um casal de brasileiros que vive no país contou com esta a situação por lá. De acordo com os dois, as medidas restritivas, que durarão três semanas, já causam um pouco de medo sobre como será o futuro com relação à “liberdade” que os moradores do país já haviam conquistado, quando houve a queda nos casos da doença.

O publicitário Rick Garcia, que morava em Bertioga, no litoral de São Paulo, e a companheira e também publicitária Julia Alves de Lima relatam que, antes mesmo de o primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, anunciar que o país entraria em lockdown, eles já temiam por isso.

O medo já existia, de acordo com o casal, porque o aumento dos casos de Covid-19 já tinha acarretado na volta de algumas medidas que antes haviam sido flexibilizadas, como o uso de máscara em locais fechados, distanciamento social e a necessidade de apresentar o ‘CoronaCheck’ para entrar em restaurantes e bares.

O CoronaCheck é um aplicativo em que o morador consegue ter acesso a um QR Code, que pode ser obtido de três formas: com um resultado de teste negativo há menos de 72 horas, certificado de vacinação ou certificado de recuperação da Covid-19 há menos de seis meses.

“No geral, ninguém está muito feliz [com o lockdown], porque a vida já estava mais aberta. A Holanda estava com vida normal, basicamente. No verão, aqui, você via muitas festas, tinha apenas a restrição de horário nas baladas. Agora, meu trabalho já enviou um aviso retirando a obrigatoriedade de ir para o escritório, apesar de seguir aberto. Antes, tínhamos que ir três dias na semana. Os planos de academia também já estão mandando as regras que devemos seguir “, relata.

Segundo o publicitário, ainda há, também, o medo de que as medidas se tornem ainda mais restritivas novamente, ou que se estenda o lockdown. “Quando o Rutte deu a declaração, eles falaram que iria ser uma medida dura, rápida e pontual, para abaixar os casos. Mas dá um medo, porque, no começo da pandemia, também eram só 15 dias”, destacou.

Lockdown

O país europeu se tornou o primeiro do continente a voltar à quarentena após o aumento de casos de Covid-19. Entre as medidas anunciadas pelo governo, estão:

— Cancelamento de eventos
— Redução nos horários de cafés e restaurantes
— Redução nos horários do comércio e mercado
— Eventos privados limitados a 4 pessoas
— Escolas, teatros e cinemas permanecerão abertos.

A Holanda vem registrando, diariamente, uma média de 10 mil novos casos de Covid-19, mas a média de mortes se mantém baixa – por volta de 25 a cada dia –, reflexo da alta adesão à vacina. O país já vacinou cerca de 72,1% de sua população com as duas doses, segundo levantamento da plataforma Our World In Data.

Europa

Outros três brasileiros naturais da Baixada Santista relataram a situação em diferentes países da Europa.

O operador de armazém Henrique Leonardi, de 39 anos, mora em Bicester, uma cidade da Inglaterra, e conta que, apesar de o uso de máscaras não ser mais obrigatório, algumas pessoas ainda usam o equipamento facial em locais onde há muita aglomeração, como trens e estádios de futebol. Para ele, a situação da Covid-19 parece controlada no país. “As restrições mais severas não existem mais”, destaca.

A professora particular de inglês Gabriela Largacha, que mora em Barcelona, na Espanha, relata que, atualmente, a única medida restritiva que prevalece na cidade é a obrigatoriedade da máscara em alguns locais, como lugares fechados e transporte público. “E as pessoas respeitam muito isso, jovens, idosos, todos”, afirma.

A brasileira Débora Guazzelli, que vive na Itália, afirma que, apesar de o país já ter imunizado mais de 80% da população, ainda há pessoas muito resistentes à vacina. “Tem muita gente que não quer se vacinar, porque diz que é uma coisa do governo para implantar microchip para controlar as pessoas. Esse pessoal precisa ter o Green Pass para ir trabalhar, e para não se vacinar, gasta a cada dois dias 15 euros, para fazer o teste e ter o resultado negativo para trabalhar. É cara essa ignorância deles”, conclui.

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