Sábado, 08 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 8 de agosto de 2026
A carga tributária bruta do Governo Geral brasileiro avançou de 30,3% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2023 para 32,4% do PIB em 2025, segundo a série histórica revisada divulgada pela Secretaria do Tesouro Nacional. O aumento acumulado foi de aproximadamente 2,1 pontos percentuais do PIB em dois anos, refletindo o aumento da arrecadação em ritmo superior ao crescimento da economia.
De acordo com os dados, a elevação ocorreu principalmente por causa do avanço das receitas do Governo Central, com destaque para tributos sobre renda, lucros, ganhos de capital e contribuições sociais. Esse é o maior percentual da série histórica do Tesouro Nacional, que iniciou em 2010. Vale ressaltar que os números seguem uma metodologia revisada pelo Tesouro Nacional, aplicada a toda a série histórica para garantir comparabilidade.
A revisão teve como principal objetivo adequar a classificação das receitas às normas internacionais de estatísticas fiscais. Entre os ajustes realizados, o Tesouro retirou do cálculo as receitas do FGTS; e as contribuições destinadas ao Sistema S.
Esses valores deixaram de ser classificados como tributos na metodologia da Carga Tributária Bruta do Governo Geral. Com isso, os anos anteriores foram recalculados utilizando a mesma regra aplicada aos dados recentes. A elevação registrada em 2025 foi concentrada principalmente na União.
De acordo com o Tesouro Nacional, o avanço da carga tributária do governo central foi influenciado principalmente por receitas associadas ao:
– Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF);
– Imposto sobre Operações Financeiras (IOF);
– contribuições previdenciárias ao RGPS.
O Tesouro aponta que a elevação da arrecadação com a renda reflete o crescimento da massa salarial, enquanto o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) está associado a operações de câmbio e crédito. Já a alta nas contribuições ao RGPS foi influenciada pela expansão do emprego formal e pela reoneração da folha de pagamento.
Qualidade de vida
O Brasil continua sendo o país que menos transforma arrecadação de impostos em qualidade de vida entre as 30 nações com maior carga tributária do mundo. É o que mostra a 15ª edição do IRBES (Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade), elaborada pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação). Segundo o levantamento, que considera dados de carga tributária e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) referentes a 2024, o Brasil ocupa a última posição do ranking pelo 15º ano consecutivo.
O estudo avalia a relação entre o volume de tributos arrecadados e o retorno desses recursos à população por meio de serviços públicos e qualidade de vida. Para isso, o índice atribui peso de 15% à carga tributária e de 85% ao IDH.
A carga tributária brasileira correspondeu a 32,32% do PIB em 2024, percentual semelhante ao de países desenvolvidos. No entanto, o IDH de 0,760, resultou em um IRBES de 142,46 pontos, o menor entre os países analisados.
Na avaliação do IBPT, o desempenho brasileiro indica que os recursos arrecadados continuam sendo aplicados de forma ineficiente.
“Apesar de termos uma carga tributária alta, digna de países desenvolvidos, como Reino Unido, França e Alemanha, o IDH nacional reflete um desenvolvimento humano muito precário”, afirma o estudo.
A Irlanda lidera o ranking pelo sétimo ano consecutivo, com um IRBES de 170,37 pontos. O país é seguido por Suíça, Coreia do Sul – que apresentou uma melhora no resultado em comparação com a edição anterior -, Estados Unidos e Autrália. (Com informações da CNN Brasil)