Sexta-feira, 07 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 6 de agosto de 2026
Um dia depois de o Brasil ter rebaixado as relações diplomáticas com a Argentina, o governo de Buenos Aires descartou tomar medida semelhante. A chancelaria argentina reagiu à decisão brasileira em um comunicado emitido na terça-feira (4) à noite. Disse que “nos últimos anos, ocorreram numerosos episódios de manifestações e apoios políticos cruzados entre dirigentes dos dois países. Em todos esses casos, sem exceção, a Argentina optou por não transformá-los em um incidente diplomático e que nunca respondeu a uma divergência política com uma medida institucional”.
A crise diplomática escalou desde julho de 2026. Em quatro ocasiões, o presidente da Argentina, Javier Milei, dirigiu ofensas ao presidente Lula, a quem se referiu como ladrão e corrupto. Depois dos ataques, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para esclarecimentos. Um gesto diplomático para reforçar insatisfação diante da crise.
Na quarta-feira (5) pela manhã, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, falou a uma TV argentina:
“O presidente da Argentina, de uma forma muito grosseira, muito direta e muito agressiva, criticou de uma forma inaudita, uma forma que nunca se tinha visto, o Brasil, as instituições, na pessoa do presidente da República, do presidente Lula. Então, tomamos essa medida porque foi uma reiteração ao longo de uma semana, em quatro ocasiões. E isso foi manifestado ao embaixador da Argentina”.
Logo depois, o chanceler argentino, Pablo Quirno, disse que não haverá nenhuma resposta diplomática ao Brasil: “O Brasil tem todo o direito de tomar as decisões que está tomando. Nós continuaremos mantendo as relações no nível que o Brasil decidir”.
Mas afirmou que espera uma mudança de poder por aqui: “Temos diferenças ideológicas profundas. A região está mudando de direção ideológica. Nós celebramos e esperamos que isso também aconteça no Brasil”.
O governo brasileiro afirmou que enquanto Milei mantiver os ataques, o Brasil seguirá sem embaixador em Buenos Aires, com o diálogo entre os países conduzido por encarregados de negócios – diplomatas de menor hierarquia. As informações são do Jornal Nacional.