Sexta-feira, 07 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 6 de agosto de 2026
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. A sigla significa “Sistema Especial de Liquidação e de Custódia”, mas, na prática, representa os juros cobrados entre bancos e serve de referência para diversas taxas aplicadas ao consumidor.
Na quarta-feira (5), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14% ao ano, quarto corte consecutivo.
Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro. Isso reduz empréstimos, investimentos e contratações, esfria o consumo e ajuda a conter a inflação. Quando ela cai, o crédito fica mais barato e estimula investimentos, contratações e o consumo.
Nos países que adotam regime de meta de inflação, como é o caso do Brasil, a taxa básica de juros da economia é o principal instrumento da política monetária para controlar o nível de preços da economia. A missão do Banco Central é levar a inflação para a meta, aumentando ou reduzindo a taxa de juros, conforme necessário diante da conjuntura macroeconômica.
Selic x Inflação: qual a função da taxa de juros na economia?
A base da teoria de política monetária preconiza o uso da taxa básica de juros de um país para esfriar ou estimular a atividade econômica. Assim, quando há a perspectiva de aumento da inflação, o Banco Central do Brasil eleva a taxa Selic, encarecendo o custo do dinheiro e reduzindo a quantidade de moeda em circulação.
Mas se o objetivo do Banco Central é desacelerar a economia elevando os juros, isso se reflete em menor Produto Interno Bruto (PIB) do país. Ao crescer menos, a lucratividade das empresas também recua e cai o retorno aos acionistas. Por outro lado, os investidores vão buscar melhor rentabilidade nos títulos atrelados à taxa Selic.
Já em momentos em que os preços estão mais controlados, a decisão da autoridade monetária passa a ser de cortar a taxa Selic, para acelerar a economia, estimulando o consumo e incentivando investimentos na produção. Com empresas produzindo e vendendo mais, os resultados financeiros melhoram e suas ações em Bolsa se tornam mais atraentes, aumentando as apostas em renda variável.
No que diz respeito à inflação, a desaceleração da economia reduz a demanda e a oferta, o que ajuda a arrefecer os preços. Já na hora que um banco central corta a Selic para estimular a atividade, a compra e venda de produtos aumenta, o que puxa os preços para cima.
Como a Selic influencia o dia a dia dos brasileiros?
No dia a dia, a taxa Selic é o que dá a dimensão do custo do dinheiro. Para saber se uma taxa de financiamento está cara ou barata é preciso consultar a Selic. Da mesma forma, para calcular a previsão de rendimento de sua carteira de investimentos, também é preciso saber qual a taxa básica da economia, para poder optar entre ativos de renda fixa ou variável.
Os juros são a ferramenta que o Banco Central utiliza para controlar a inflação e funcionam como uma espécie de precificação do dinheiro. Quanto mais altos os juros, a moeda fica mais cara, e as condições para comprar a prazo ou pedir financiamentos e empréstimos se tornam mais difíceis. A alta de juros desestimula o consumo, por isso ajuda a conter a inflação, que muitas vezes é gerada pela alta demanda.
Como a taxa Selic afeta a inflação?
As decisões de consumo são muito ligadas à variação das taxas de juros. É o que os economistas chamam de ciclo econômico. O momento mais favorável ao consumo é quando a taxa básica da economia é baixa, de modo que o custo do dinheiro fica mais barato. Mas se a inflação foge do controle, o Banco Central entra com medidas anticíclicas, para conter a economia, dentre elas a elevação da taxa Selic.
O Brasil adota o regime de metas de inflação. Esse sistema, implantado em 1999, foi definido como o parâmetro de referência para as expectativas de preços em substituição ao regime de bandas cambiais, abandonado após a maxidesvalorização da moeda no início daquele ano. O indicador oficial de inflação no Brasil é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A meta para a inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), composto pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e Orçamento, além do presidente do Banco Central.
Há outros meios pelos quais os governos podem induzir a atividade econômica, como benefícios e subsídios, mas a política monetária no sistema de regime de meta de inflação utiliza principalmente a taxa de juros.
Pela lei da oferta e da procura, a inflação acelera quando há menor oferta e/ou muita procura, causando um desvio da meta definida pelo governo. Então, ocorre o que se chama de aperto monetário, quando o BC eleva a taxa Selic para tentar conter a inflação. O contrário é o afrouxamento monetário, quando corta a Selic para reaquecer a economia.
Note-se que o efeito da taxa Selic sobre a inflação leva em média de 6 a 9 meses, pois ocorre de forma indireta. Portanto, qualquer mudança da taxa só fará efeito sobre os preços de produtos e serviços dali um semestre, pelo menos.