Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

Home Economia Compra de carro zero quilômetro: programa de estímulo deve elevar vendas em 15%, mas aprovação de crédito é desafio

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Com mais de 600 mil inscritos, começou a ser liberado o crédito do governo federal para o programa Move Brasil, destinado a taxistas e motoristas de aplicativo para compra do carro zero. Estimativas da Bright Consulting, consultoria especializada no setor automotivo, indicam que o volume de vendas de veículos leves pode crescer até 15%, desde que os potenciais compradores consigam atender às condições básicas do programa.

Estão cadastradas 11 montadoras e 42 modelos de veículos. Serão R$ 30 bilhões em crédito repassados pelo Ministério da Fazenda ao BNDES, e os bancos e instituições financeiras parceiras serão os responsáveis por aprovar e liberar o crédito ao consumidor a partir de hoje. O valor máximo do veículo é de R$ 150 mil.

— O principal desafio não será apenas a atratividade da taxa de juros subsidiada, mas a capacidade de aprovação de crédito da base de consumidores. Caso a operacionalização seja eficiente, o programa poderá representar um importante estímulo para a indústria automotiva, com pelo menos 180 mil unidades vendidas ao longo dos próximos 12 meses — projeta Cássio Pagliarini, diretor da Bright Consulting.

Inadimplência alta
Com o programa, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que representa as montadoras, já admite elevar sua estimativa de vendas para este ano. O novo número será divulgado em julho. No início do ano, a previsão era de um crescimento de 2,8% para veículos leves, chegando a 2,6 milhões de unidades.

Mas de janeiro a maio, o segmento já emplacou quase 1,1 milhão de unidades, expansão de 18,2% sobre o mesmo período de 2025. A Anfavea projeta que o programa pode gerar 200 mil unidades emplacadas, o equivalente a um mês de vendas.

— Precisamos saber: será um volume adicional ou antecipação de compras? — questionou o presidente da Anfavea, Igor Calvet, durante o evento Anfavea Visions, realizado em São Paulo, no início de junho.

As taxas de juros são de 0,99% ao mês para homens e 0,91% ao mês para mulheres, com prazo de financiamento de 72 meses e carência que pode chegar a seis meses para o pagamento da primeira parcela.

Nos cálculos da Bright Consulting, no caso de um veículo de R$ 100 mil, com 50% de entrada e saldo financiado em 24 meses, com taxa de 0,99% ao mês, o custo financeiro será reduzido em mais de R$ 6 mil quando comparado a uma taxa tradicional de mercado de 1,89% ao mês. Estão incluídos carros flex (a etanol e gasolina), híbridos flex, elétricos e veículos movidos exclusivamente a etanol. Modelos a gasolina e diesel ficaram de fora.

Quais são os veículos elegíveis?
Confira uma lista resumida das principais montadoras habilitadas e modelos que se encaixam no programa.

BYD: Dolphin e Dolphin Mini
General Motors: Onix, Onix Plus, Spin, Tracker, Montana, Sonic e o elétrico Spark EUV
Volkswagen: Polo, Tera, Virtus, Nivus e T-Cross
GWM: Ora 03
Honda: City Hachback, City Sedan, HR-V e WR-V
Hyundai: Creta, HB20, e HB20S
Nissan: Kait, Kicks e Versa
Renault: Duster, Kardian e Kwid
Geely: Geely EX2
Stellantis: Citroën Aircros, Basalt, C3; Fiat Argo, Cronos, Pulse, Mobi e Fast Back
Jeep: Compass e Renegade; Peugeot 208 e 2008
Toyota: Yaris Cross

Potencial de vendas: 200 mil veículos
Milad Kalume, especialista no setor automotivo da Klume consultoria, avalia que o potencial de vendas é de 200 mil veículos, considerando R$ 30 bilhões divididos por R$ 150 mil e se todos tiverem o crédito aprovado. Ele afirma que os veículos mais usados por taxistas e motoristas de apps, entretanto, têm tíquete médio na faixa dos R$ 120 mil, o que garantiria renovação de frota de até 250 mil novos.

— O programa favorece em geral os veículos de entrada, como os hatches, sedãs compactos, SUVs pequenos. O plano poderá dar impulso aos veículos elétricos e híbridos — diz o especialista, lembrando que nas capitais, onde há mais infraestrutura de carregamento, o elétrico tende a ganhar maior relevância.

Já em cidades médias e rotas mais longas, o flex e o híbrido ainda são as melhores alternativas. O programa, diz Kalume, tende a acelerar a troca de veículos antigos por modelos mais novos e tecnológicos, renovando a frota, reduzindo emissões e colocando carros mais seguros em circulação.

As locadoras têm um bom número de clientes entre taxistas e motoristas de apps diz Kalume. Segundo a Associação Brasileira das locadoras de Automóveis (Abla), os carros alugados para esses profissionais representam 25% do total. Com crédito mais barato, uma parte dos motoristas vai poder comparar o valor do aluguel mensal com a parcela do financiamento. Com informações do portal Extra.

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