Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2022

Home em foco Deltacron: universidade identifica 25 casos de variante que combina a delta com a ômicron

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Uma cepa de covid-19 que combina elementos genéticos das variantes delta e ômicron foi encontrada em Chipre, de acordo com Leondios Kostrikis, professor de Ciências Biológicas da Universidade de Chipre e chefe do Laboratório de Biotecnologia e Virologia Molecular.

“Existem atualmente coinfecções por ômicron e delta, e descobrimos esta cepa que é uma combinação das duas”, disse Kostrikis em uma entrevista veiculada na última sexta-feira (7).

A descoberta foi chamada de “deltacron” devido à identificação de assinaturas genéticas semelhantes à da variante ômicron dentro dos genomas da delta, disse ele.

Kostrikis e sua equipe identificaram 25 desses casos e a análise estatística mostra que a frequência relativa da infecção combinada é maior entre os pacientes hospitalizados em função da covid-19 em comparação com os pacientes não hospitalizados.

As sequências dos 25 casos de deltacron foram enviadas ao Gisaid, o banco de dados internacional que rastreia as alterações no vírus.

“Veremos no futuro se essa cepa é mais patológica ou contagiosa ou se prevalecerá [sobre a delta e a ômicron]”, disse ele.

Mas sua opinião pessoal é que essa linhagem também será substituída pela variante ômicron, altamente contagiosa.

Ômicron

Por escapar parcialmente dos anticorpos, a nova variante do coronavírus pode causar reinfecção em vacinados, mas eles raramente adoecem com gravidade. Isso, em geral, ocorre em pessoas com comorbidades,

A ômicron tem apenas dois meses, e não é possível projetar seu impacto com precisão, mas dados preliminares de África do Sul, Reino Unido e Dinamarca indicam que ela é mais branda. E ela pode sobrecarregar o sistema de saúde devido à avalanche de casos leves.

A nova variante do Sars-CoV-2 assombra pela eficiência em se espalhar. Ela não apenas parece, ela está em toda parte. O virologista Fernando Spilki afirma que tudo indica que ela já é dominante no País.

A ômicron, ao que tudo indica, é menos letal que a delta. Mas adoece tanta gente que causa a sobrecarga dos sistemas de saúde.

A ômicron é recordista e tem 50 mutações, 32 delas na proteína S, alvo do sistema imunológico e, por isso, da maioria das vacinas. Ela escapa parcialmente do ataque de anticorpos, mas não ao ponto de fazer as vacinas perderem totalmente a efetividade.

A terceira dose, de reforço, restabelece a eficácia das vacinas a patamares superiores a 80%. Um estudo liderado por Corine Geurtsvan Kessel, da Universidade Erasmus, na Holanda, mostrou que as vacinas continuam a evitar a doença grave.

Os dados são preliminares porque a ômicron emergiu há cerca de dois meses. Mas um relatório do governo britânico de dezembro mostrou que pessoas infectadas pela variante correm risco 50% menor de precisar de atendimento de emergência ou hospitalização em comparação com a delta.

O outro fator tem a ver com a própria ômicron. Estudos sugerem que ela não se multiplica com a facilidade das variantes anteriores do coronavírus nas células do pulmão. Ela prolifera nas vias aéreas superiores.

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