Domingo, 30 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 29 de agosto de 2026
Diante do desafio de crescer significativamente nas pesquisas faltando pouco mais de um mês para as eleições, o candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, subiu um pouco o tom contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário por uma vaga no segundo turno. Durante sabatina aos jornais Valor Econômico, O Globo e rádio CBN, o ex-governador de Goiás disse que o candidato do PL “desrespeita a inteligência da população” e que seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, atua como um “lesa-pátria”.
As críticas, contudo, pararam por aí. Como vem fazendo em suas entrevistas e sabatinas, Caiado centrou fogo no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e teve dificuldade para explicar as próprias propostas, sobretudo aquelas relacionadas ao equilíbrio das contas públicas. O candidato se comprometeu com um superávit primário de 1,5% do PIB ao mesmo tempo em que rejeitou mudanças nas regras do reajuste do salário mínimo, das aposentadorias e reforma da Previdência.
Na entrevista, Caiado voltou a cobrar de Flávio explicações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Disse que, inicialmente, evitou fazer um pré-julgamento e deu ao senador a oportunidade de apresentar sua versão. Segundo ele, sua postura mudou depois que Flávio classificou a controvérsia como “página virada”. “Aí já é realmente desrespeitar a inteligência do povo brasileiro”, afirmou. “Você não tem o direito de ser um candidato a presidente da República e se negar a dar esclarecimentos dos quais você está envolvido.”
“Quem está com o rabo preso e com as mãos sujas não tem autoridade moral”, disse. Negou, porém, que o endurecimento contra Flávio tenha relação com a recente troca do marqueteiro de sua campanha. Segundo ele, Paulo Vasconcelos deixou o comando do marketing presidencial porque já trabalhava em outras duas campanhas e Caiado precisava de uma assessoria dedicada à disputa pelo Planalto.
Ele também foi contundente ao ser questionado sobre Eduardo Bolsonaro e sua atuação nos Estados Unidos em favor de medidas contra o Brasil. Caiado classificou a conduta como “péssima” e “condenável”. “Eu não admito ingerência no meu país”, afirmou. “Ninguém pode se vangloriar de qualquer iniciativa contra o seu próprio país.” Para ele, um brasileiro que age dessa maneira “lesa a pátria”.
Mesmo nesse tema, Caiado dividiu as críticas com Lula. O candidato responsabilizou o presidente pela deterioração da relação com os Estados Unidos, citou declarações do petista sobre a desdolarização e prometeu retirar o que considera um viés ideológico do Itamaraty.
Na economia, ele confirmou que está pessoalmente comprometido com uma meta de superávit primário de 1,5% do PIB, antecipada por seu coordenador de programa de governo, Roberto Brant. “Exatamente. Eu estou comprometido mesmo.”
A principal ferramenta apresentada para colocar as contas em ordem é uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que pretende encaminhar ao Congresso no início do governo. Pela regra, as despesas seriam corrigidas pela inflação e poderiam incorporar apenas 50% do crescimento do PIB registrado no ano anterior. Caiado afirma que pretende estabilizar a dívida pública já no primeiro ano e iniciar uma trajetória de redução. Com informações do Valor Econômico.